Economistas apostam em recuperação econômica do país nos próximos anos

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tende a crescer 2,3 neste ano, alta que deve acelerar para 2,8 em 2021

O PIB brasileiro tende a crescer 2,3 neste ano, alta que deve acelerar para 2,8 em 2021 (foto: reprodução)

A partir deste ano e permeando 2021, a economia brasileira começa a se estabilizar e entrar em fase de recuperação cíclica no biênio e o maior motivo desse crescimento vem sendo a política monetária expansionista. Por meio do Data Valor, 35 consultorias e instituições financeiras estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tende a crescer 2,3 neste ano, alta que deve acelerar para 2,8 em 2021.

Expectativas contidas

Devido o lento crescimento no ano de 2018, quando o esperado pelas instituições não superou as expectativas, que eram de 3% para o PIB de 2019, desta vez, as empresas estão mais contidas e acreditam em resultados abaixo de 2,5%. De acordo com análise de alguns economistas, o risco de que as reformas percam o senso de urgência como motivo para cautela. Essa “freada” de expectativas foi causada após três anos consecutivos de fraco desempenho da economia, com avanço próximo de 1% do PIB.

Já fora do Brasil, o esperado é estabilidade em crescimento global diante da guerra comercial entre China e Estados Unidos, mas, por enquanto, esse é cenário, que pode ser totalmente alterado durante as eleições americanas. Para Roberto Secemski, economista-chefe para o Brasil do Barclays, que trabalha com alta de 2,3% para o PIB no período, um bom impulso resultante no crescimento da economia foram os saques de contas do FGTS, realizados, em sua maioria, no último trimestre de 2019.

O crescimento do consumo pelo FGTS

Para Secemski, como as retiradas do fundo vão até março, deve haver algum efeito residual no primeiro trimestre, mas a principal mola propulsora do consumo das famílias ao longo do ano será a transmissão da redução da Selic para a atividade, processo que leva de seis a nove meses. A esperança é que, em um segundo momento, esse crescimento do consumo que veio pelo FGTS e depois pelo crédito crie pernas próprias com ampliação do emprego e expansão da massa salarial. Em 2020, espera-se um crescimento de 3% com o consumo das famílias no cenário do banco inglês.

O economista-chefe do banco BRP, Nelson Rocha, avalia que mesmo com pequena queda do desemprego, a composição das vagas geradas deve melhorar, com crescimento nas ocupações formais. Segundo ele, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) pode mostrar criação na casa de 1 milhão de postos com carteira assinada em 2020. Hoje, os empregos gerados ainda são de baixa qualidade e remuneração, mas quantitativamente o mercado de trabalho está melhor.

Fragilidade das contas públicas

Mesmo diante de progresso e um caminho de crescimento econômico, ainda persistirá a fragilidade das contas públicas e, possivelmente, o déficit primário só deve ser zerado em 2023. Rocha explica que, de acordo com mediana de 30 instituições, a dívida bruta do governo geral ficará em 78,5% do PIB em 2020, proporção que deve subir para 79% em 2021. Hoje, quase ninguém do mercado espera que a dívida bruta chegue em 80% do PIB.

Reformas propostas pelo Executivo para 2020

Economistas opinam sobre fatores que podem ajudar a conter a trajetória de alta das dívidas e manter as despesas do governo federal dentro do teto de gastos, para alguns deles, é essencial que ao menos parte das reformas propostas pelo Executivo, em 2019, seja aprovada pelo Congresso em 2020. Jensen avalia que a PEC emergencial, que estabelece, entre outras medidas, a possibilidade de redução de jornada de servidores públicos, com redução equivalente de salários, é a mais importante e deve ser a prioridade do governo. Ela possibilita a queda de despesas obrigatórias.

Para o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o principal risco doméstico para 2020 é que, diante de sinais de recuperação econômica, o senso de urgência das reformas diminua. A tendência por procrastinar na adoção de soluções para os problemas estruturais do Brasil existe e pode aumentar com a recuperação cíclica da economia, afirmam os pesquisadores Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos.