Leitura deve se tornar maior rede do mercado de livrarias do Brasil

Após crise da Saraiva, a companhia deve chegar ao primeiro lugar em 2020

O mercado de livrarias deverá ter em breve uma nova líder no Brasil. A mineira Leitura, criada em Belo Horizonte pela família Teles há 52 anos, soma até agora 72 lojas. A Saraiva — a maior atualmente e que está em recuperação judicial — possui 74 e fechou cerca de 25% de suas unidades nos últimos dois anos. A empresa já chegou a contabilizar 114 pontos de venda.

A pesquisa Painel do Varejo de Livros no Brasil, realizada pela Nielsen e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), indica que o mercado terá que buscar novas soluções para movimentar o setor. O cenário de crise inclui duas grandes redes de livrarias, Saraiva e Cultura, abatidas por dívidas estimadas em mais de R$ 240 milhões só para as editoras e fechamento de pontos comerciais.

Enquanto a Saraiva e a Cultura fecham lojas e reestruturam operações, a rede Leitura tem planos para expandir os negócios em 2020. A movimentação da empresa sinaliza que o setor busca se adequar a uma nova realidade. O presidente da Leitura, Marcus Teles, afirmou que até maio a companhia vai ter 76 unidades com a abertura de quatro lojas em São Paulo (SP), Campinas (SP), Serra (ES) e Juiz de Fora (MG).

O presidente contou que trabalha nos contratos para mais três pontos de venda, o objetivo é terminar 2020 com 79 lojas. A empresa espera ter faturamento anual de R$ 500 milhões após a operação de expansão da rede. Teles diz que, embora vá se tornar a maior do País em número de lojas, o processo no e-commerce ainda está devagar — enquanto a tradicional líder em livrarias tem vendas relevantes pela web.

A Saraiva registrou em outubro deste ano prejuízo consolidado de R$ 18,2 milhões, queda de 21,3% ante outubro de 2018. As despesas operacionais, incluindo o resultado financeiro, somaram R$ 22,3 milhões, queda de 55,8% na comparação anual. As receitas líquidas somaram R$ 43 milhões, queda anual de 35%. Os dados constam em relatório mensal de atividades elaborado pela RV3 Consultores.

História da Leitura

A Leitura foi inaugurada em 1967 como um pequeno sebo por Emídio Teles então com 17 anos, com o nome de “Livraria Lê”, na Galeria Ouvidor, tradicional centro de vendas de livros novos e usados no centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Em 1975, o nome foi alterado para “Leitura”, — que permanece até hoje — e cinco anos depois foi aberta a primeira filial, e as lojas começaram a comercializar, além de livros, produtos de papelaria.