Amazon abre primeiro centro de distribuição no Nordeste

O novo centro deve entrar em operação ainda no primeiro trimestre de 2020, com 10 mil metros quadrados de área

Foto: Reprodução

A Amazon, empresa norte-americana de atuação em e-commerce e a mais valiosa do mundo, vai abrir o primeiro centro de distribuição (CD) na região Nordeste, que entra em operação já no primeiro trimestre de 2020. O município escolhido foi Cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana do Recife, em Pernambuco.

O movimento estratégico da companhia ocorre menos de um ano depois da inauguração do primeiro CD no País, em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, e ataca um dos pontos fracos do comércio online, que é a rapidez nas entregas.

O presidente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, conta que Recife foi escolhido porque o município está a 800 quilômetros das principais cidades do Nordeste. Segundo ele, nos próximos meses o novo CD vai permitir que as mercadorias sejam entregues em dois dias em mais de 150 cidades. Hoje as entregas nesse prazo contemplam um pouco mais de cem cidades.

Além da localização estratégica, o executivo aponta outros dois fatores favoráveis à escolha da região: mão de obra capacitada na área tecnológica e a boa infraestrutura. Outro fator que contribuiu para escolha é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) reduzido para as vendas online feitas para fora do Estado.

Esse benefício fiscal concedido pelo governo de Pernambuco está em vigor e tem atraído outras varejistas online para a região, como Submarino B2W, Big Bompreço, Carrefour, exemplifica Bruno Schwambach, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco.

O secretário explica que nos últimos dois anos, foi trabalhado na prospecção de grandes varejistas para instalarem áreas de armazenagem e essa legislação existe desde 2016. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, o Brasil tem questões do ponto de vista logístico que não se resumem à malha de distribuição.

Ele afirma que a Amazon está começando a entender que a arquitetura de distribuição tem de levar em consideração não só a questão das distâncias, mas questões tributárias. A região Nordeste foi uma das mais castigadas pela crise, acrescenta Terra. Isso deve acirrar a concorrência entre as grandes varejistas online que atendem à região na disputa pelo consumo reprimido nos últimos anos.

No primeiro semestre, o Magazine Luiza, concorrente da Amazon, fez um movimento defensivo. A empresa estreou em mais um Estado do Nordeste, o Maranhão, e avançou para o Pará. A rede transformou as lojas em minicentros de distribuição para entregar mais rápido as mercadorias.

Desde que inaugurou o primeiro CD, em janeiro, a Amazon cresce em ritmo acelerado. Nos últimos meses, abriu dois CDs em São Paulo. E o número de categorias e itens vendidos se multiplicou. Em janeiro, eram comercializados 120 mil produtos agrupados em 16 categorias. Agora são mais de 150 mil produtos e mais de 30 categorias.

Recentemente a Amazon começou a vender artigos para pets, bebidas, material esportivo, alimentos, entre outros. Antes de chegar no Nordeste, esses itens saíam de São Paulo para abastecer a região. A partir de 2020, serão abastecidos do CD alugado em Pernambuco de 10 mil metros quadrados.