Brasil avança no IDH, mas cai uma posição na lista

Crescimento discreto é considerado positivo

Moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, vivem em meio à pobreza (Foto: Reprodução)

O Brasil melhorou moderadamente sua nota no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018, mas desceu uma posição no ranking global e passou a ocupar o 79º lugar entre os 189 países pesquisados, informou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nesta segunda-feira (9).

O índice é medido anualmente e vai de 0 a 1 — quanto maior, mais desenvolvida a nação — e tem como base indicadores de saúde, educação e renda. Os dados divulgados hoje são correspondentes a 2018. O IDH do Brasil foi de 0,761 em 2018 ante 0,760 em 2017, quando o país ficou em 78º lugar, de acordo com uma revisão dos dados do ano passado.

A escala classifica os países analisados com IDH muito alto, alto, médio e baixo. O Brasil segue no grupo dos que têm alto desenvolvimento humano. Segundo o relatório, a taxa anual de crescimento do IDH brasileiro nos últimos 18 anos foi de 0,78%, mas pontua que houve um avanço mais acentuado de 1990 a 2013, com resultados menos expressivos a partir de então.

O ranking foi novamente liderado pela Noruega, considerado o país de maior desenvolvimento humano do mundo, com IDH de 0,954. O país é seguido por Suíça (0,946) e Irlanda (0,942), países de desenvolvimento humano muito alto. Os últimos colocados, em contrapartida, são Chade (0,401), República Centro-Africana (0,381) e Níger (0,377).

Entre os países da América do Sul, o Brasil e a Colômbia apareceram empatados na quarta posição. O primeiro lugar ficou com Chile (42º, na colocação geral), seguido de Argentina (48º) e Uruguai (57º), respectivamente. Conforme o Pnud, o IDH nacional está acima da média de 0,759 para países da América Latina e do Caribe. A média mundial é de 0,731.

O Pnud também avaliou o IDH ajustado às desigualdades, que mede a perda do desenvolvimento humano devido à distribuição desigual dos ganhos do IDH. Nesta avaliação, o Brasil ficou com o índice 0,574 e ocupou a 102ª posição. A nota do país cai para 0,574. Desta forma, o Brasil passa a se enquadrar na categoria de desenvolvimento humano médio.

O relatório apresentou indicadores para medir a distribuição de renda entre a população de um país, são três: participação na renda dos 40% mais pobres, participação na renda dos 10% mais ricos e participação na renda dos 1% mais ricos. Com isso, o levantamento apontou que quase um terço de todas as riquezas do Brasil estão concentradas nas mãos dos 1% mais ricos.

Um dos recortes do relatório traz o retrato das diferenças sociais e econômicas entre homens e mulheres. No Brasil, em média, a renda feminina é 42% menor, mesmo as mulheres apresentando melhor desempenho na dimensão educação, fator-chave para o desenvolvimento das atividades laborais. O levantamento ainda aponta que o país tem apenas 15% dos assentos preenchidos por mulheres nas funções parlamentares.

Na edição deste ano, o Pnud afirma que duas mudanças fundamentais moldarão o nosso século: as mudanças climáticas e as transformações tecnológicas, além de trazer um alerta em relação ao surgimento de uma nova geração de desigualdades. No relatório, a ONU defendeu que a desigualdade de renda precisa ser combatida.