Economia brasileira cresce 0,6% no terceiro trimestre de 2019

Construção civil tem melhor desempenho desde 2014

economia brasileira avançou 0,6% no terceiro trimestre de 2019, na comparação com os três meses anteriores, divulgou o IBGE nesta terça-feira (3). Analistas projetavam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrasse alta de 0,4%, de acordo com a mediana das projeções compiladas pela agência Bloomberg.

Em relação ao terceiro trimestre de 2018, o PIB subiu 1,2%. Em valores atuais, o PIB totalizou R$ 1,842 trilhão de julho a setembro. No segundo trimestre, a economia brasileira avançou 0,5%, após revisão de dados (antes era 0,4%).

No terceiro trimestre deste ano, o que mais contribuiu para o desepenho positivo, pela ótica da produção, foi o comportamento da agropecuária, que cresceu 1,3%. Na sequência, os dois setores que contribuíram para a alta do índice foram a indústria, que avançou 0,8%, e os serviços, com alta de 0,4%.

Os dados do IBGE mostram que o consumo das famílias registrou alta de 0,8% no terceiro trimestre, acelerando de uma expansão de 0,2% no período anterior. Em um ano, cresceu 1,9%. Contribuíram para esse crescimento a queda da taxa básica de juros, a Selic, e a liberação do saque de até R$ 500 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Por outro lado, as despesas do governo caíram 0,4% no terceiro trimestre e 1,4% em um ano. A queda de despesas do governo (que inclui gastos com pessoal e exclui investimentos), reflete as restrições no Orçamento em época de ajuste fiscal, segundo a coordenadora de Conta Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Estimulado pela melhora no consumo, o setor da construção civil cresceu 1,3% em relação ao segundo trimestre deste ano. Na comparação anual, ou seja, com igual trimestre do ano anterior, foi ainda mais: alta de 4,4%. Com isso, o segmento teve o melhor desempenho desde o primeiro trimestre de 2014.

Os investimentos cresceram 2,9% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, emendando o oitavo resultado positivo seguido, após 14 trimestres de queda. Em relação ao trimestre anterior, o aumento foi de 2%. A taxa de investimento no terceiro trimestre foi de 16,3% do PIB e permaneceu estável em relação ao mesmo período do ano anterior (16,3%).

No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 2,8% em relação ao segundo trimestre e 5,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. As importações, por outro lado, cresceram 2,9% no terceiro trimestre e 2,2% em relação ao mesmo período de 2018.

Neste ano, segundo previsões do mercado, a economia do país deve crescer 0,99%. O valor é bem inferior às projeções do começo do ano, quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, de um crescimento de 2,5%. Apesar do avanço da agenda de reformas e da queda na taxa básica de juros (Selic), o desemprego segue elevado e a economia continua sem dar sinais de recuperação no médio prazo.