Dia das grandes promoções: por que a Black Friday se chama assim?

Nos Estados Unidos, houve até uma tentativa de mudar o nome da Black Friday para Big Friday, mas foi um grande fracasso

O desespero já tomava conta dos comerciantes: os produtos de Natal estavam literalmente a caminho de suas lojas, mas não havia espaço para colocá-los nas gôndolas. Como vender do dia para a noite as mercadorias destinadas ao tradicional feriado americano de Ação de Graças, que haviam empacado nas prateleiras, e liberar espaço para os itens natalinos?

Foi nesse contexto que, no fim da década de 1950 e no começo da de 1960, na cidade da Filadélfia, nos EUA, surgiu a Black Friday, o dia seguinte ao feriado do Dia de Ação de Graças (que sempre cai na última quinta-feira de novembro), marcado por grandes descontos para acabar com os estoques da loja.

O pontapé inicial foi dado por um grupo de comerciantes locais que se uniu para divulgar que os preços estariam muito mais baixos que o normal. Resultado: a população foi em peso às lojas para aproveitar as liquidações, e a Filadélfia viveu um dia de caos.

Havia outro problema: como o Dia de Ação de Graças é em uma quinta-feira, tinha quem aproveitava para faltar no trabalho na sexta e emendar os quatro dias de folga. Muitos desses ausentes trabalhavam justamente no comércio, que já estava sobrecarregado pelo fluxo maior de clientes, aumentando a bagunça na cidade.

O professor Fábio Mariano Borges, de comportamento do consumidor, da ESPM, explica que foram os policiais que criaram a expressão Black Friday, porque era um dia em que eles tinham que trabalhar demais. Era muita gente passeando, muita gente na rua para ficar de olho.

Ainda segundo ele, nos Estados Unidos o prefixo ‘black’ tem sentido negativo e era usado porque era um dia de muito trabalho para esses policiais. No português, a semântica é parecida. A expressão “a situação está preta”, que muitas pessoas consideram racista, costuma indicar um dia ruim.

Borges acrescenta que tem registros dessa época relatando que os jornalistas iam cobrir a Black Friday, mas eles não faziam reportagens sobre como estavam as vendas nas lojas. Eles ficavam nas ruas para ver se o trânsito tinha aumentado em relação ao ano anterior, para contar o número de acidentes.