Pesquisa aponta crescimento de 14,4% das classes A e B no Brasil em plena crise

Classes A e B apresentam crescimento de 14,4% (foto: reprodução)

O especialista em economia Marcelo Neri, diretor da FGV Social mostrou, por meio de dados obtidos pelo portal Valor Econômico, um significativo crescimento de famílias de classe mais alta (A e B) em 2018.

Em contrapartida, também foi notada instabilidade indesejada nos números de famílias menos favorecidas, aquelas que são classificadas em D e E, fator que, de certa forma, se deu por conta do período de crise mais intenso vivido por nossa sociedade.

A crise favoreceu os mais ricos

Os números mostraram que no ano passado, aqueles que integravam a classe A e B estavam em uma porcentagem de 14,4% da população brasileira, o que corresponde a 30 milhões de pessoas.

Pôde ser percebido avanço entre os anos de 2018 e 2019. No ano anterior, por exemplo, a proporção foi bem menor, apenas 13,6% da população se “encaixava” ao grupo.

A classe pré-definida como “classe média tradicional” se baseia nos salários recebidos. São famílias com renda per capita superior a R$ 8.159.

Com estudos voltados à questão de mobilidade social brasileira, Neri explica que a figura em nosso imaginário de classe média dos EUA e da Europa, de casa, dois carros, dois filhos e dois cachorros é representada por aqui pelas classes A e B. Essa, que seria a classe média tradicional, voltou a crescer, o que é uma boa notícia.

Critério de corte

Para se basear nos números apresentados durante a matéria, foi usado critério de corte da FGV Social, valendo ressaltar que não existe uma linha oficial. Informações como salários, aposentadorias, alugueis e programas sociais foram divulgados pelo IBGE recentemente, a partir disto, foi associado dados levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

O motivo principal deste avanço, em parte, se dá devido maior nível educacional. O que revela os dados da FGV Social é que enquanto a nível populacional a escolaridade é de 8,7 anos, nas classes A e B é de 13,2, considerando apenas pessoas maiores de 25 anos.

Neri acrescenta que os mais escolarizados não são necessariamente os primeiros a serem contratados ou demitidos. Mas, em todo esse período de crise e tentativa de saída dela, foi particularmente forte para os mais escolarizados. A taxa daqueles que fazem educação executiva (MBAs) nas classes A e B são cinco vezes maior que a média.

Concentração de empregadores

Em sua maioria, as famílias de classes A e B concentram bastante empregadores, ou seja, empresários e comerciantes, fator que é considerado positivo e contribuiu pelo melhor desempenho de renda. Outro ponto positivo está associado diretamente ao empreendedorismo que é levado bastante a sério por essas classes, chegando a 12,9% acima dos 4,8% da população em geral. O que é perceptível principalmente para o mercado e setor econômico é a rápida e mais fácil recuperação das empresas diante de um cenário de crise.

Mesmo diante de melhora ligada às classes A e B, os números ainda crescem de maneira desigual. Não é totalmente gratificante para um país ver o crescimento de determinada classe, entretanto, as mais pobres não reduzirem. No caso das classes D e E, que em 2017 representavam 30,1% da população e em 2018 passou para 30,3%, número que corresponde a 62,3 milhões de pessoas.

Lento avanço da Classe C

Reduzindo em números de 56,3% em 2017 para 55,3% em 2018, a classe C também teve lento avanço. Em 2014, as classes A e B representavam 15,5% da população, mas em 2016 houve um grande declínio e apenas 13,6% da população se adequava à classe, segundo levantamento da FGV Social.

Ainda em 2014, 57,7% da população era representada pela classe C, famílias que tinham renda per capita de R$ 1.892 a R$ 8.159. Em 2018, a porcentagem reduziu para 55,3%. O crescimento no quesito renda per capita foi de 4% em 2018 em comparação a 2017, chegando a R$ 1.337, zerando perdas registradas na crise.

Para este ano, ainda que chegando ao fim dele, o especialista acredita em uma retomada de renda, mesmo que com contratempos. Segundo ele, a boa notícia é que teremos novamente crescimento da renda e a má notícia é que ela tende novamente a ser desigual.