Câmara aprova acordo que lançará o Maranhão como player no mercado aeroespacial

TAGIL OLIVEIRA RAMOS
(Colaboração de LETÍCIA HOFKE )

Visitei no mês de agosto o CLA (Centro de Lançamento de Alcântara). Perto da plataforma de lançamento (foto abaixo), senti uma sensação forte que tentarei traduzir nos próximos parágrafos.

Estive pessoalmente no local do acidente de 2003: os mártires morreram à toa?

A emoção tinha a ver com o número 21. Foram 21 pessoas que perderam a vida no fatídico 22 de agosto de 2003, pela explosão do famigerado VLS (Veículo Lançador de Satélites), acionado desastrosamente antes do tempo.

Vingança dos mártires

Passados exatos 16 anos e 2 meses, recebo uma nova notícia: o plenário da Câmara dos Deputados aprova o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST). O entendimento entre duas nações (EUA e Brasil) permitirá que foguetes e satélites sejam lançados da estrutura montada em Alcântara, chamada ainda pelos moradores simplesmente de “Base”.

Ainda é preciso passar pela aprovação do Senado. A entrada do Maranhão no exponencial mercado espacial trará riqueza para a região e, ao contrário do que dizem os deputados da pedra lascada (opositores ao progresso), gerará emprego e riqueza para as populações quilombolas, hoje entregues ao subdesenvolvimento e ao esquecimento.

Aprovação nada unânime

Os números são significativos. Note-se que 86 deputados votaram contra. Essa força retrógrada está concentrada em representantes do PSOL e do PT. Eles tentaram, até o último momento, a obstrução da pauta e sua votação.

No fim deste artigo, você terá a lista completa de quem tentou até o final impedir o progresso no Maranhão (fique de olho).

R$ 10 bilhões injetados numa economia em estagnação

Estimativas iniciais mostram que o país pode vir a faturar por ano a cifra de U$ 10 bilhões (algo em torno de R$ 40 bilhões). Para uma região que pretende se recuperar de uma recessão endêmica, isso não é troco de sorveteiro.

O atraso de quem votou contra tem desculpa mas não perdão. Afinal, a ignorância é desculpada. Mas as consequências de uma visão atrasada repercutem por décadas. A Base de Alcântara foi até o presente momento subutilizada, por conta da pressão ideológica constante contra sua permanência na região.

Segredo militar

Quando cursei o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), fui a uma reunião secreta, na condição de quase Aspirante a Oficial. As informações que tive na época foi de que o padre da comunidade fazia campanha contra a base da Aeronáutica, incitando quilombolas a se manifestarem contra a permanência do complexo na região.

O padre, pelo que soube na oportunidade, acabou sendo transferido para outra paróquia. Mas, ao conversar com pessoas de Alcântara recentemente, percebi que a visão ideológica de permanecer no subdesenvolvimento e ser contra o progresso ainda é muito forte.

Oportunidade real para Alcântara

A grande maioria da população de Alcântara entende, contudo, que a abertura da região para o mercado aeroespacial vai trazer dinheiro, melhores condições de vida e esperança para uma população carente e esquecida pelos governos.

O mercado de pequenos satélites só tenderá a crescer nos próximos anos. Uma pesquida da consultoria Frost & Sullivan mostra que a receita projetada de 2018 a 2030 é de US$ 69,04 bilhões.

A oportunidade para Alcântara está neste detalhe, preste atenção. Existe uma demanda de 11.746 lançamentos até 2030. Cerca de 90% dessa demanda vem de um grupinho de 37 operadoras que domina o mercado. Detalhe: a estrutura no mundo atualmente disponível tem capacidade para somente 11.009 lançamentos.

Faça as contas: alguns dos 737 lançamentos a serem planejados podem ser feitos pelo CLA. É claro que a estrutura não consegue absorver tudo, pois um lançamento desse tipo leva meses e até anos para ser projetado.

Nomes aos bois
Bira do Pindaré (PSB) foi o único deputado maranhense a votar contra a aprovação do AST. Zé Carlos (PT), que votou na sessão para a obstrução da pauta, na última hora se absteve.

Os demais deputados maranhenses votaram favoráveis ao Acordo: Aluísio Mendes (PSC), Cléber Verde (Republicanos), Edilázio Júnior (PSD), Eduardo Braide (sem partido), Gastão Vieira (PROS), Gil Cutrim (PDT), Gildenemyr (PL), Hildo Rocha (MDB), João Marcelo Souza (MDB), Josimar Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Juscelino Filho (DEM), Márcio Jerry (PCdoB), Marreca Filho (Patriota) e Pedro Lucas Fernandes (PTB).

Nova era de progresso

Apesar das mentes retrógradas. o futuro avança. No domingo passado (20), participei da comissão que escolheu duas equipes para representar o Maranhão nacionalmente na iniciativa batizada por Hackaton da Nasa (o maior do mundo).

Quem promoveu a vinda do evento foi a Faculdade ISL Wyden. A instituição liderada pelo visionário Rodrigo Marques também está lançando o primeiro MBA em Tecnologia Aeroespacial.

A notícia de aprovação pela Câmara do AST é, portanto, não um fato isolado, mas uma constatação dos bons ventos tecnológicos que sopram sobre São Luís.

A abertura comercial de Alcântara para o mercado aeroespacial será um grande marco. Parafraseando Neil Armstrong, trata-se de um pequeno passo para o Centro de Lançamento e um grande passo para o Maranhão e para a humanidade.