Grupo Globo desenvolve portfólio com startups

Entre elas estão as startups Rappi, Enjoei e tech.fit

O Grupo Globo já cogita novas startups para integrarem a rede de investimentos (foto: reprodução)

As startups passam a integrar o portfólio da Globo, fundada por Roberto Marinho. A emissora terá sob seus investimentos a Enjoei, Rappi, Órama, Bom pra Crédito, tech.fit, Buser e uma joint venture com a Stone. Por enquanto, estes são os nomes informados pelo grupo, entretanto, outras marcas já estão sendo analisadas e irão integrar a iniciativa ao longo do ano.

Com valor avaliado em uma receita líquida de R$ 14,7 bilhões no ano passado, o Grupo Globo, maior conglomerado de mídia e de comunicação da América Latina, se volta para uma nova estratégia, a ideia é, por meio de aporte, motivar startups brasileiras a trabalharem em projetos inovadores e criativos que tragam resultados positivos dentro deste ecossistema. A iniciativa não é tão recente, em 2017, o grupo já havia investido em pelo menos oito startups.

Invadindo o espaço das maquininhas, um dos anúncios foi uma joint venture com a Stone que contará com a parceria do PagSeguro, do Uol. A Órama também foi escalada pela Globo, ela é uma plataforma que concorre com a XP. Também citada como integrante está a Bom pra Crédito, um marketplace de crédito. Serão três fintechs participantes.

Valendo mais de US$ 1 bilhão, o grupo apostou na empresa unicórnio Rappi, que é um aplicativo de logística e na Enjoei, site de comércio eletrônico. Outra aposta da Globo foi a empresa responsável pelo desenvolvimento de aplicativos voltados à saúde e bem-estar, a tech.fit, além do Zap, o portal de imóveis que formou sociedade com a Viva Real em novembro de 2017.

Anunciada na última segunda-feira (7), outra grande e recente aposta de investimentos da Globo foi a Buser, uma espécie de Uber dos ônibus, o aporte foi feito em parceria com o SoftBank. O objetivo é investir na expansão da marca, serão investidos R$ 300 milhões para os próximos 12 meses de trabalho a ser desenvolvido.

Segundo o diretor de operações da Stone e presidente da nova companhia de conjunto com a Globo, Caio Fiuza diz que essa nova empresa vai atender aos profissionais autônomos e a forma de chegar até eles é usando a grande mídia. Ele afirma ter conhecimento da operação e a Globo, da mídia.

O “casamento” entre a Stone e a Globo aumenta a visibilidade voltada ao PagSeguro/UOL. Com o peso que carrega a empresa da família Frias e a colaboração da mídia que já acompanha os negócios, foi apenas um passo a mais para alavancar o PagSeguro, com capital aberto na Bolsa de Nova York e valendo atualmente US$ 14,5 bilhões. Fiuza diz que é parecido, mas a forma de executar o investimento é diferente.

Por trás de todo a publicidade e marketing voltado às estratégias, o que foi analisado pelo Valor Investe, site de investimentos lançado neste ano pelo jornal Valor Econômico, pertencentes à família Marinho, é a forte presença somente da publicidade da plataforma de investimentos. Os banners mais vistos pelo NeoFeed, que passeou por um longo tempo no Valor Investe, foram aqueles que anunciavam o Órama.

Segundo informações vindas de um gestor de fundo de venture capital, essa estratégia depende de quanto eles têm de mídia disponível, quanto estão dando de desconto na veiculação para os clientes atuais e por quanto estão conseguindo vender essa mídia para poder entrar nas rodadas de investimentos. Mas, pela opinião dele, vale muito a pena para a Globo.

Tudo faz parte de fins lucrativos e alcance de massa. As empresas que recebem investimentos da Globo necessitam de um grande público, já que precisa atender as expectativas de determinados consumidores. A Bom pra Crédito, de responsabilidade de Ricardo Kalichsztein, por exemplo, recebeu no fim de setembro deste ano o valor de R$ 35 milhões.

Atuando no mercado sem a parceria da Globo, a fintech conta com mais de 6 milhões de usuários, facilitando para cerca de 34 aliados o valor de R$ 500 milhões em empréstimos. O esperado é que agora, com união do grupo, o número venha aumentar muito mais.

O negócio principal da Globo está sob ataque e corre o risco de virar uma máquina de datilografia do futuro. Enquanto ela gera caixa e tem capacidade de investimento faz sentido apostar em startup, diz o professor e coordenador do Centro de Estudo em Negócios do Insper, David Kallás. Concordando com David, José Sarkis Arakelian, professor de estratégia de marketing da Fundação Álvares Penteado (Faap), diz que essa é, ao que tudo indica, uma estratégia de diversificação para além do negócio principal.

Pelo que parece, segundo apuração do NeoFeed, a Allen & Co, influente boutique de investimento americana especializada em real estate, tecnologia, mídia e entretenimento, é uma das marcas que vem assessorando a Globo para a análise de novas startups nas quais o grupo passará a investir. Procurado, a grupo não quis se manifestar sobre o assunto.