Em dez anos, brasileiros dobram gastos com celular, internet e produtos de higiene pessoal

Despesas com produtos para cabelo e sabonete já são maiores que os desembolsados em contas de luz, segundo pesquisa do IBGE

As transformações tecnológicas da última década alteraram o comportamento orçamentário das famílias brasileiras. Entre 2009 e 2018, o gasto da população com planos de assinatura de TV, telefone e internet praticamente dobraram, saindo de 0,6% para 1,1% das despesas mensais. Os dados são da Pesquisa de Orçamento Familiares (POF), divulgada pelo IBGE .

Em 2008, os brasileiros gastavam mais com telefone fixo do que com esses pacotes de telefonia e internet. A conta, no entanto, se inverteu em 2018 com a massificação dos celulares, dos pacotes de internet e de televisão a cabo. Hoje, os brasileiros hoje gastam R$ 7,72 com telefone fixo e R$ 50,41 com esses serviços digitais, em média.

Para efeitos de comparação, as despesa média das famílias brasileiras é de R$ 4.649,03. Desse total, 92,7% são destinados a despesas correntes, com moradia, transporte, educação e consumo. Além do aumento dos gastos dos brasileiros com serviços e taxas, de 7% para 7,4% do orçamento, em uma década, os gastos com celulares ocuparam o espaço que antes eram separados com as despesas com telefone fixo, hoje quatro vezes menor do que era em 2008.

O aumento das despesas com novos serviços foi maior entre os mais pobres, com rendimentos de até dois salários mínimos. Nessa faixa, o peso dos pacotes de telefonia e internet no orçamento aumentou cinco vezes. Entre os mais ricos, com renda acima de 25 salários, o crescimento foi mais tímido, com um peso um terço maior do que era em 2008.

Além de internet e planos, o brasileiro também está gastando mais com jogos em celulares. A participação desses itens no orçamento das famílias triplicou no período, influenciando o crescimento da despesa com recreação e cultura, de 1,6% das despesas mensais para 2,1%, em dez anos.

Além dos gastos com serviços mais demandados na última década por conta do avanço tecnológico, os brasileiros passaram a gastar uma maior parte do seu orçamento com produtos de higiene e cuidados pessoais. Em 2003, eram 1,8%, passou para 1,9%, em 2009, atingindo 2,9% do orçamento em 2018.

Segundo o levantamento, as famílias já gastam uma maior parcela do orçamento doméstico em produtos de higiene pessoal do que com energia elétrica, por exemplo. O movimento é inédito na história da pesquisa. Atualmente, os brasileiros gastam R$ 136,82, em média, com produtos para cabelo, sabonete, perfume e instrumentos de uso pessoal. Em contas de luz são R$ 115,36.

Dentro dos produtos de higiene pessoal, chamam atenção os gastos com produtos para cabelo e sabonete, que dobraram nos últimos anos. O mesmo não ocorreu com despesas em manicure e salão de beleza, as quais permaneceram no mesmo patamar de 2008.

A POF é o levantamento mais detalhado sobre os padrões de consumo dos brasileiros. Ela é realizada desde os anos 1970. Nesta edição, técnicos do IBGE visitaram quase 58 mil dos 70 milhões de lares brasileiros, em 1,9 mil cidades. A coleta de dados durou um ano. As famílias que participaram da pesquisa tiveram de preencher cadernetas e questionários com todos seus hábitos de consumo. Em média, elas eram compostas por três pessoas.

Baseado nessa pesquisa, o IBGE atualiza a cesta de itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país. O instituto deve divulgar nas próximas semanas uma nota detalhada de como os dados colhidos no ano passado influenciarão na composição desse indicador.

Com o levantamento, também será possível identificar quantas famílias brasileiras vivem em insegurança alimentar. Ou seja, têm acesso escasso a alimentos e podem estar em situação de fome.


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