Ações da China e EUA definem preço de ferro e petróleo

Com o desempenho alcançado, a Commodity anulou parte da perda de quase 30% referente a julho e agosto e o ganho de 2019 avançou a 28,4%

Analistas afirmam que estoques limitados de finos de minério de Pilbara contribuíram para o avano no mercado futuro (foto: reprodução)

Entre altas e baixas, onde resultados ligados ao minério de ferro e petróleo oscilaram durante o ano, houve uma reviravolta na economia elevando o ganho total a 28,4%, sendo anulada pela commodity parte da perda de quase 30% acumulada entre julho e agosto.

Com significativo aumento no mercado, o minério de ferro foi bastante valorizado por siderúrgicas chinesas, um fator que acabou contribuindo para este suporte foi a chegada do Dia Nacional, feriado prolongado que acontece na primeira semana de outubro, elevando o minério em 10% no mercado transoceânico.

Com elevação chegando a 2,78% ontem e, por tonelada, US$ 93,38, o Fastmarkts MB publicou a negociação do minério com teor de 62% no porto de Qingdao. Com um salto de 13 yuans a 655,59 yuans por tonelada, a Bolsa de Commodity registrou grande movimentação nos contratos de janeiro, considerado os mais líquidos do ano.

De acordo com o que obteve de informações dos analistas entrevistados, o que contribuiu para esta alta e avanço no mercado foram estoques limitados de finos minério de Pilbara. Além disso, um movimento de reestocagem de última hora por parte de siderúrgicas chinesas, em preparação ao feriado que se estenderá até o fim de semana.

Os analistas ouvidos também fizeram questão de ressaltar que, no curtíssimo prazo, a tendência de valorização dos contratos futuros de produtos siderúrgicos e a expectativa de maior demanda de aço na China podem sustentar a curva ascendente.

Mesmo com alta e avanço em alguns setores, não é descartada a possibilidade de imprevistos, o receio principal seria passar de uma ótima fase para, quem sabe, nova correção a partir de fim de outubro.

É nesta temporada que se inicia a fase sazonalmente mais temida pelo setor, sendo a considerada a mais fraca de todas. Na questão China em relação ao processo de exportação para o Brasil, foi percebido maior equilíbrio nas últimas semanas, resultando no quesito oferta de demanda do mercado global.

Petróleo em alta

Em relação ao barril de petróleo, ontem fechou a US$ 60,78 com alta do Brent chegando a 2,6%. A negociação aconteceu em Londres e as elevações foram percebidas em relação do mês de setembro.

O que afirma o analista de Energia, Petróleo e Gás da XP Investimentos, Gabriel Francisco, a cotação deverá permanecer neste patamar, visto que não há grande pressão da demanda mundial. Se não acontecer um movimento significativo no lado da demanda, o mercado irá continuar neste ritmo. Para dezembro, a expectativa é de preço na casa de US$ 59,55.

Ainda que tenha havido redução de oferta pela Arábia Saudita, propriamente do Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), seu maior produtor, a cotação de barril de setembro não sofreu impacto considerado positivo. Gabriel diz que a Arábia Saudita usou muito estoque para atender os contratos. E o cenário de alta por tensão geopolítica não se traduziu.

O mercado está muito pautado na questão do humor com relação à guerra comercial entre China e Estados Unidos. Tudo vai depender das tratativas entre os países, do contrário, nada deve mudar, relata Walter Vitto, analista de óleo e gás da Tendência Consultoria, que acrescenta que os preços não devem reagir até o fim deste ano, em função da desaceleração da atividade econômica mundial.