Onde se coloca o Brasil na guerra tecnológica do 5G entre EUA e China

Nova tecnologia pode permitir que robôs, sensores e outras máquinas se comuniquem

A implementação do 5G no Brasil está cada vez mais próxima – e não há dúvidas que essa novidade na rede de comunicação irá revolucionar a forma de lidar e interagir com os dispositivos. A conectividade ultrarrápida de baixíssima latência do 5G será capaz de trazer para o dia a dia conceitos futuristas, como realidade virtual, carros autônomos e robótica avançada.

Quem foi ao Rock in Rio, que aconteceu neste final de semana, teve a oportunidade de testar a tecnologia no próprio evento, devido a uma iniciativa da Oi e Huawei. Com uma performance até 10 vezes superior à da rede 4G, o 5G foi usado pela equipe de conteúdo do evento. Esse é apenas o começo de um plano da Huawei para implementar a rede 5G no Brasil. A empresa está aguardando um leilão – previsto para 2020 – que definirá quem será o provedor da rede no país.

O interesse pela nova conexão é global, e ocasionou uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que estão competindo para se tornarem os provedores oficiais de outros locais. O presidente Donald Trump considera a empresa da China, que é líder mundial no setor, uma ameaça à segurança global cibernética e um cavalo de Troia do governo de Pequim para espionar Washington e os cidadãos americanos. Não é o único: os governos da Austrália, Nova Zelândia e Taiwan se alinharam à Casa Branca e também limitaram a atuação da empresa chinesa.

Embora a Huawei seja uma firma de capital privado, os americanos temem que ela esteja a serviço do governo chinês. Os boicotes não impedem à Huawei de continuar sua expansão mundial. Em junho, ela assinou um acordou com a maior empresa de telecomunicações da Rússia, a MTS, e no mês passado anunciou a construção de uma fábrica de celulares e tablets em São Paulo, em 2021. 

Para lidar com a concorrência asiática, a Câmara de Deputados dos EUA estuda criar até um fundo de 1 bilhão de dólares para operadoras americanas se tornarem menos dependentes de produtos chineses. Isso acontece porque o potencial do 5G é revolucionário. Em um mundo em que estamos cada vez mais conectados – e dependemos da internet para trabalhar e fazer negócios –, a velocidade de conexão será ainda mais essencial.

Como se posicionará o governo Bolsonaro no tabuleiro internacional nessa guerra digital ainda não está claro. Sinais parecem mostrar a vontade de não desagradar nem a China e nem os EUA. Os dois países estão entre os maiores parceiros comerciais do Brasil e o governo, enquanto faz um esforço de aproximação com os americanos, tenta ao mesmo tempo evitar que as relações com os chineses azedem.

Mas apesar dessa pressão, não deve haver nenhum tipo de barreira ao uso de equipamentos da gigante chinesa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador do setor, apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A Huawei já tem mais de um terço da infraestrutura de redes de telefonia móvel no país, além de contratos com vários órgãos do governo federal. 

O edital brasileiro do 5G deve ser posto em consulta pública em outubro e, após as contribuições, a versão final precisa passar pelo crivo do TCU. O relator do leilão na Anatel, Vicente Aquino, disse que o edital ainda está em fase de estudos e informou que somente se pronunciará quando o documento for submetido à análise do Conselho Diretor da agência, em sessão pública.

O que é o 5G e como ele pode mudar as nossas vidas

A tecnologia 5G é a próxima geração de rede de internet móvel, que promete velocidade de download e upload de dados mais rápida, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. Trata-se de utilizar melhor o espectro de rádio e permitir que mais dispositivos acessem a internet móvel ao mesmo tempo.

A expectativa é que o 5G traga a estrutura necessária para que a internet das coisas seja uma realidade no mundo. Esse conceito prevê dispositivos conectados se comunicando entre si – como uma geladeira que avisa quando estiver sem comida ou um sistema inteligente de casa que prevê quando a pessoa estiver voltando do trabalho.

Ambientes urbanos devem mudar bastante ao longo da próxima década. Soluções conectadas ajudarão na análise de tráfego, fornecimento de água, além de outras inúmeras possibilidades. Em linhas gerais, a rede 5G trará inovações muito além das telecomunicações. A conexão estaria disponível não somente para smartphones e tablets, mas também para carros, hospitais, casas, entre outros.