Solução logística prevê investimento de R$ 13 bilhões em porto e ferrovia

Enfrentando concorrência de dois terminais já instalados e a questão de desocupação de áreas quilombolas, o grupo GPM aposta em projeto ousado

A atual rede ferroviária que serve os portos do Itaqui e Terminal da Madeira está estressada. A estrutura logística não consegue transportar um excedente de 60 milhões de toneladas de minério que escoa no período de um ano. Esse “gargalo” é visto como uma das justificativas para construção da Ferrovia Maranhão, o mais novo empreendimento na região, que vai requerer investimento de quase R$ 13 bilhões.

O empreendimento foi concebido pela Grão Pará Multimodal (GPM). A solução logística inclui um novo terminal portuário e uma ferrovia. O capital é totalmente privado, sem participação de governos estadual ou federal.

O projeto teve autorização federal no final de 2018. Agora começa a fase de licenciamento ambiental. Também é hora da procura de investidores interessados em cobrir a aposta na região. No total, será necessário aporte de R$ 12,87 bilhões para a construção do complexo portuário-logístico.

A GPM é uma empresa formada por sócios portugueses. Ela atua há cerca de uma década oferecendo serviços de infraestrutura. Seus sócios apostam na utilização de área do município de Alcântara para a construção do novo porto.

Vantagem

O empreendimento conta com algumas características naturais vantajosas da geografia marítima da área. O calado da região é de aproximadamente 25 metros. Este fator permite receber navios de grande porte. Além disso, o canal por onde as embarcações navegarão é considerado de grande amplitude, permitindo manobras e trânsito independente de outros portos da baía.

Nova ferrovia

Um diferencial competitivo visto pelos empresários da GPM está na construção de um novo ramal ferroviário, batizado de Estrada de Ferro Maranhão.

Ele será construído a partir da malha já existente na região, ou seja, as antigas ferrovias Norte-Sul e Carajás. A união com o novo empreendimento é considerada como uma oportunidade de bons negócios para os investidores.

Nos próximos anos, a estimativa é de que a região Norte tenha um aumento de fluxo de 200 milhões de toneladas (entre minério de ferro, grãos e outras commodities). Haveria portanto uma demanda não atendida e a ausência de logística para embarque e transporte.

Oportunidade

O novo projeto dos empresários portugueses estima que o porto a ser construído em Alcântara vai ter capacidade para movimentar até 140 milhões de toneladas por ano (só de minério). Nessa conta, estão incluídas cargas de ferro, bauxita, manganês, cobre, dentre outras.

Quando se fala de grãos, a GPM tem a perspectiva de transportar até 40

milhões de toneladas (soja, farelo de soja e milho). Boa parte dessa safra vem da região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Outra parte vem do Centro-Oeste.

Obstáculos

Apostando que haja demandas no mercado pela estrutura logística a ser construída, os sócios da GPM terão de contar com a concorrência atual dos dos dois portos de São Luís, bem como com o enfrentamento comercial com o futuro Porto São Luís, cuja construção já começou, sob a batuta da China Communications Construction Company (CCCC) e a WTorres.

Também terão de enfrentar entraves ao licenciamento das obras, pela presença de comunidades quilombolas na área afetada. A questão está longe de apresentar uma solução fácil, uma vez que envolve impactos sociais e ambientais.

Se tudo der certo, o plano é iniciar as obras no ano de 2021.


Anúncio: 407 anos São Luís