Domínio chinês: 48% dos que compraram no exterior usaram AliExpress e Wish

Estudo mostra plataformas mais usadas pelos brasileiros para compras internacionais

Cada vez mais brasileiros estão comprando produtos do exterior pela internet. E, sobretudo, produtos chineses. Um estudo da fintech curitibana de pagamentos Ebanx, em parceria com a empresa de pesquisa de opinião Opinion Box, entrevistou 3.000 brasileiros que fizeram alguma compra internacional pela internet nos últimos doze meses.

O resultado foi que, dentre as varejistas de comércio eletrônico, as chinesas AliExpress e Wish estão entre as mais populares. É o chamado comércio cross border (algo como “que cruza fronteiras”, em inglês), em que varejistas ou empresas de diferentes setores, como de tecnologia, podem vender produtos por meio de seus sites e aplicativos para clientes de outros países.

As vendas cross border movimentaram no comércio eletrônico brasileiro 10 bilhões de dólares em 2018, o equivalente a 22% de todo o e-commerce no Brasil, segundo estudo da consultoria de inteligência de marketing Americas Market Intelligence.

O estudo da Ebanx mostra que a AliExpress é a terceira plataforma mais usada pelos entrevistados para compras internacionais e a Wish, a 10ª. Dentre os entrevistados, 23,9% compraram na AliExpress ao menos uma vez nos últimos 12 meses, enquanto 23,8% usaram a Wish. As empresas não têm loja física ou estoques próprios no Brasil, de modo que todos os produtos vêm do exterior.

As chinesas estão, inclusive, à frente da varejista americana Amazon, maior empresa de comércio eletrônico do mundo mas que, no Brasil, é apenas a quinta maior fornecedora de produtos internacionais. A empresa foi usada para comprar produtos do exterior por 18% dos entrevistados.

Algumas das plataformas mais usadas são também as que vendem serviços de tecnologia de empresas estrangeiras. A americana Netflix lidera 67,6% dos entrevistados assina ou assinou nos últimos doze meses o serviço de streaming da companhia americana. Em seguida vem a Uber, com 60,4%, que tem transporte por aplicativo e entrega de refeições.

Nas compras internacionais de serviços de tecnologia também aparecem nomes como Amazon Prime, serviço de frete grátis e streaming da Amazon, as plataformas de música Spotify e Deezer, o streaming de séries e filmes HBO Go e o Airbnb, plataforma de aluguel de hospedagem temporária.

Com serviços de viagem em que brasileiros compram passagens de empresas estrangeiras, os sites de viagem Decolar e Trivago também são responsáveis por grande volume de compras, usados por 8% e 10% dos usuários, respectivamente.

Desconfiança ainda é alta

Para os brasileiros, o principal motivo para comprar nos sites estrangeiros ainda é em grande parte a busca por um preço menor. Os entrevistados no estudo da Ebanx apontaram como fatores que influenciam as compras, em primeiro lugar, o preço (48,1% dos produtos), seguido pelo valor do frete (39,6%) e, por último, a qualidade dos produtos (34,2%).

A imagem de preços baixos, contudo, é combinada com uma percepção ainda difundida de que produtos de sites internacionais, sobretudo dos chineses, têm menor qualidade. Apesar do volume crescente de compra em sites internacionais, combater essa desconfiança é um desafio, sobretudo para as empresas chinesas.

Dentre os consumidores que já desistiram de uma compra em site internacional, 54,7% o fez porque não confiava que o produto chegaria ou porque não se sentiram seguros. O estudo também mostra que 52% dos usuários que compram em sites internacionais ainda o fazem usando boleto bancário, opção oferecida pelas empresas chinesas desde sua entrada no Brasil, o que as ajudou a ganhar tração.