“Arrisquem suas peles, abram uma empresa”, sugere Nassim Taleb

O ex-trader já trabalhou em bancos como; Credit Suisse First Boston, UBS, BNP e Paribas

Nassim Taleb (foto: reprodução)

Pode parecer simplório, mas não é possível transferir nem ignorar riscos. Só é real quando as pessoas assumem os riscos, essas foram as palavras discursadas pelo ex-trader e um dos principais autores de finanças, Nassim Taleb, na última sexta-feira (6), em São Paulo, no Instituto de Formação de Líderes (IFL), onde ele enfatizou para os presentes naquele local que os indivíduos precisam arriscar e não ter medo de investir em seu próprio negócio.

“Berrar” ao telefone

Durante aquele evento, Nassim, que disse por várias vezes “berrar” ao telefone ordens de compra e vendas durante seu trabalho na bolsa, além deste emprego, ele passou duas décadas atuando em grandes bancos, como: Credit Suisse First Boston, UBS, BNP, Paribas, Indosuez (atualmente Calyon) e Bankers Trust (agora Deutsche Bank). Após tentativas frustradas de ser tenista e enxadrista, a opção foi se tornar pesquisador.

O conteúdo dos livros não condiz com a realidade

Depois de intensas buscas em livros matemáticos e ter “sentido na pele” a atmosfera da bolsa, ele diz ter feito uma descoberta bastante peculiar: os especialistas que tanto falavam a respeito de operações financeiras em enciclopédias e apostilas, jamais haviam visitado pessoalmente a bolsa. Daí em diante, o professor percebeu que a realidade não condizia com o que por anos foi motivo de suas pesquisas.

Há uma falácia nesse sentido. O mundo real não se relaciona com mundo dos livros. Essa constatação serve para diversas profissões: desde economistas, passando por burocratas até chefs de cozinha, que são julgados por seus pares e não pelos consumidores, por exemplo, diz Nassim ao relacionar o papel de experts e a coragem em arriscar.

De acordo com ele, não existe uma premiação para os melhores encanadores do mundo, porque o consumidor leva 30 segundos para detectar se o serviço está bem feito ou não. Basta ver se a torneira continua pingando. O mesmo acontece com os pilotos de avião. Os piores estão debaixo d’água no oceano Atlântico (no caso do voo Brasil – França) e no Índico (com os voos da Malaysian Airlines).

Nassim abre parênteses quando interliga consequências obtidas por profissionais que decidem não assumir riscos, pontuando a posição dos burocratas que discutem a saída do Reino Unido da União Europa, enquanto não “dão a cara a tapa” dizendo que os burocratas que vão decidir o futuro do Brexit parecem estar à parte da Europa, como se Bruxelas fosse um local separado e não houvesse qualquer relação com a realidade.

Um alerta!

Ele alerta para cuidados simples a serem tomados na busca de evitar segregação, o principal, segundo ele, é tratar o outro como gostaria de ser tratado, não tratando o próximo mal, para que não seja tratado de forma desagradável. Este é um exemplo de regras de simetria que o autor sempre menciona em suas palestras.

Ele, que atualmente reside nos Estados Unidos, Líbano e Reino Unido, diz não hesitar em responder o seguinte quando jovens lhes questionam que carreira seguir: arrisquem suas peles, abram uma empresa.


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