Google e Facebook anunciam medidas para garantir mais privacidade

Contudo, a promessa das empresas de proteger dados dos usuários esbarram em seu próprio modelo de negócios

No último ano, o Facebook foi alvo de escândalos envolvendo a venda de dados de seus consumidores para empresas como a Cambridge Analytics.
Porém, de acordo com o presidente da rede social Mark Zuckerberg, isso já é passado. Agora, a plataforma está em uma nova etapa, em que, como o próprio criador diz, “o futuro é privado”.

A Google também está seguindo essa mesma linha e, em seu mais recente megaevento, apresentou ferramentas para facilitar as configurações de privacidade nas contas da plataforma. Entretanto, a nova ideia vai de encontro ao principal modelo de negócios das duas empresas: as informações dos usuários são uma “moeda” importante para traçar perfis e vender publicidade direcionada.

A maioria dos serviços, tanto do Google quanto do Facebook, depende de anúncios e algoritmos que se alimentam de informações pessoais dos perfis. Quanto maior a privacidade, menor o valor dos anúncios e a efetividade. De acordo com o presidente da Google Sundar Pichaia, a mudança no posicionamento das empresas significa que a proteção de seus dados não pode ser um bem de luxo, oferecido apenas a quem pode pagar um determinado software – como o da Apple, por exemplo.

A Apple sempre usou a proteção de dados como estratégia de marketing. O vice-presidente Craig Federighu, também em uma conferência recente, reiterou que um dos pilares da empresa é preservar informações dos consumidores: privacidade é um direito humano fundamental. Nesse dia, a empresa apresentou também um recurso para login seguro em aplicativos ou serviços, e a marca garante que não compartilha informações com as plataformas parceiras e até permite a criação de uma “máscara de e-mail” para manter essa informação segura.

O Google e o Facebook perceberam que a privacidade se tornou um diferencial competitivo. Segundo o diretor da consultoria de tendências WGSN Mindset na América Latina Luiz Arruda, as redes sociais lideram o movimento em prol da preservação de informações pessoais porque são as mais pressionadas pelos consumidres, mas a procupação não vai ficar apenas nas empresas de tecnologia. O próximo passo é ver essa problematica indo para outros seguimentos e categorias.

Ainda de acordo com Arruda, os usuários também estão começando a entender a importância de seus próprios dados. Um estudo realizado pela consultoria de dados Acxiom revelou que são três os perfis dos consumidores digitais, que tem relações diferentes com a privacidade. Os primeiros são os pragmáticos – aqueles que estão dispostos a trocar alguns dados, dependendo do serviço e analisando caso a caso. Há também os fundamentalistas -aqueles que não estão dispostos a compartilhar informações nem por tecnologias boas – e os despreocupados – aqueles que não ligam para a questão da privacidade de dados.

Nos Estados Unidos, os pragmáticos são maioria, 58%; seguidos por fundamentalistas, 24%; e por despreocupados, 18%. Entre as principais preocupações dos usuários em plataformas digitais, estão problemas relacionados à privacidade. Segundo Arruda, os resultados da pesquisa nos mercados mais desenvolvidos podem ser trazidos para o Brasil. Ele avalia que a privacidade também tem peso para os brasileiros.