Artigo do pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação da UFMA sobre o Dia das Mães

É Maio, é Mãe, é Bravura!

Allan Kardec Duailibe Barros Filho
Professor da UFMA.

Maio invadiu nossa pele com chuvas intensas, com lutas imensas, com noites tensas. Maio é também o mês de nossas melhores recordações. De nossa infância. De nossa mãe com aquele oceano de amor. É o mês que inaugura o ano com uma brisa de esperança.

Na UFMA, iniciam-se as discussões concretas sobre os caminhos. Nosso destino. Nossas escolhas. Há algum consenso. Não abrimos mão da educação. Do ensino. Da pesquisa. Da ciência. Da extensão. Também não abrimos mão da autonomia universitária. Afinal de contas, nenhum país. Nenhum. De nenhuma ideologia: direita ou esquerda. Nenhum. Absolutamente nenhum país na História renunciou ao seu conhecimento. Ou seja, à sua Ciência – própria. A seu conhecimento – único. À sua identidade – ínsita. Da autenticidade de serem Japão, China ou Rússia. Para a guerra ou para a paz! Nem nós, filhos de brasileiras, seremos os primeiros a renunciar à nossa condição de filhos dessas mulheres que, embora com sacrifícios, chegaram até aqui e nos fizeram brasileiros!

Estou acompanhando de perto uma mãe que inicia a grande jornada do Alzheimer. Interessante que a criação de filhos envolve sempre novas descobertas todos os dias, alegria, intensidade. No Alzheimer, vemos o ser amado ser lentamente abraçado por neurônios que insistem em desobedecer, dia após dia. Vê-la com os olhos brilhantes de um dia refletidos em um caminho tortuoso e nebuloso na manhã que segue. Ter de definir todo dia remédios e rotinas. Preocupar-se com as palavras para não afligir. Algo que jamais alguém pensa em fazer com os filhos. Afinal, jovens têm filhos ainda jovens e podem errar à vontade. E filhos nascem sem manual talvez por isso mesmo. Mas, já adultos, não podemos falir com a pessoa que sacrificou cada pedaço de sua vida. Que não dormiu. Que deixou de se alimentar para que o seu sacrifício se transubstanciasse em nosso triunfo.

No Brasil quem pode dar soluções para Alzheimer é a universidade. Quem faz ciência é a universidade. Não há outra instituição privada que o faça. A universidade brasileira formou o Brasil de hoje. Sim. A universidade pública! Claro que sugiram inúmeras privadas nesta última década. Mas os dirigentes que hoje determinam os caminhos. Aqueles que pensam nossas opções. Os que hoje redigem leis ou as assinam são frutos da universidade pública. Portanto. E por isso. Creio que nosso primeiro dever seja o de defender aquelas mães cuidadosas – com todas as críticas que possamos a elas tecer – afinal filhos sempre reclamam das mães. Repensar sim. Matar jamais!

A UFMA cresceu extraordinariamente. Só nos últimos dois anos temos 10 novos mestrados e 4 novos doutorados! Hoje são 107 cursos de graduação. A pós-graduação é metade disso. 46 cursos de mestrado e 13 de doutorado. 35 mil estudantes. 2 mil professores. 1700 técnicos. Sustentando empresas. Cursos. Casas. Espaços. É da universidade que vem a solução. A tecnologia. A ciência. O pensamento. As ideias. Um país sem universidade está fadado à escravidão.

A UFMA se prepara todos os dias para o futuro. Um exemplo. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), discutido hoje no Brasil inteiro, tem o apoio de dois cursos na UFMA: graduação e pós-graduação em engenharia aeroespacial. Não foi invenção acadêmica de última hora. Improviso. Envolveu ampla articulação com participação do Governo Estadual, Ministério da Educação, Ministério da Defesa, Ministério da Ciência e Tecnologia, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Centro de Lançamento de Alcântara e a nossa Bancada Federal Maranhense. O ministro Marcos Pontes, à época astronauta, ofereceu-se para ser nosso professor, por conta da proposta ousada do curso.

Em 2011, as quatro empresas mais valiosas do mundo eram na maioria do setor de petróleo e gás. ExonMobil, Shell, PetroChina. A Apple corria por fora. Em 2019, estão no topo as empresas de informação: Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft e Facebook. Mas os países que controlam os campos de petróleo ou a cadeia de satélites não mudaram de 2011 para cá. Permanecem Estados Unidos, China e Rússia no topo. O Brasil tem o Pré Sal. Que nestes anos que me refiro, cresceu a produção em torno de oito. Sim. Oito vezes!

Alguém perguntaria. Onde encontramos a tecnologia para explorar o pré sal? Na universidade. Com investimento público! O smartphone que você usa. Quem descobriu a tecnologia de touch screen? O setor público inglês e americano com financiamento público! O setor privado só entrou quando encontrou naquela tecnologia uma oportunidade de negócio. Essa lógica funciona para os outros setores.

A universidade não se incomoda de ser questionada. Por dever de ofício ela própria o tem de fazer diariamente. De viver o futuro antecipadamente. Afinal, os estudantes que hoje adentram nossas portas só sairão depois de alguns anos. A universidade vive o futuro hoje! Como toda mãe, com paciência, esperança, resiliência e ousadia.

Neste dia, portanto, saudamos efusivamente nossas mães. Que são luz para as sombras. Trabalho para o desânimo. Coragem para o medo. Luta para escravidão. E a elas pedir a ajuda de sempre para que saibamos os estudantes, técnicos e professores ter clareza nas ideias, coragem nos questionamentos e paciência para a construção da universidade brasileira.

Pedir também para deitar no teu colo. E retemperar a coragem no mar da esperança.

E-mail: allan@ufma.br