Sem caixa nem segurança: Zaitt, primeira loja 100% autônoma da América Latina chega a São Paulo

A startup se uniu à varejista Carrefour para lançar em São Paulo um mercado que funciona por QR Codes, RFID e, no futuro, por reconhecimento facial

Mercado autônomo da rede Zaitt, em São Paulo (Foto: Divulgação)

O plano da startup Zaitt é que tenhamos uma rede nacional de mercados autônomos. Em alguns quarteirões do bairro paulistano Itaim Bibi, o plano já é realidade: é possível fazer compras na companhia apenas de consumidores, celulares e produtos, sem caixas ou seguranças. O plano é chegar a 21 mercados autônomos Zaitt até o final deste ano e expandir para outras verticais.

Criado há três anos em Vitória (Espírito Santo), o Zaitt começou com outra ideia de negócio: ser um aplicativo para delivery de bebidas. Os sócios e engenheiros capixabas Tomás Scopel, Rodrigo Miranda, Renato Antunes Jr e Mario Miranda passaram um ano com essa ideia, o que incluiu a abertura de uma loja de conveniência física que também funcionava como o estoque das bebidas.

Em julho de 2017, as operações online e física se desmembraram em negócios distintos. O aplicativo para delivery de bebidas se tornou para delivery de produtos diversos, criando a startup Shipp. Já a loja de conveniência física continuou com o nome Zaitt, mas com uma proposta de escalar por meio de tecnologias no ponto de venda. Em dezembro do mesmo ano, a primeira unidade do Zaitt nos moldes autônomos foi lançada.

“Esse último ano foi dedicado a refinar nossa tecnologia e expandir a equipe. Quadruplicamos nosso faturamento em Vitória e decidimos ir a São Paulo no fechamento de 2018”, afirma

Segundo Rodrigo Miranda, fundador da Zaitt, esse último ano foi dedicado a refinar a tecnologia da empresa e expandir a equipe. O faturamento foi quadruplicado em Vitória e foi então que a ida para São Paulo foi fechada.

A unidade do Itaim Bibi abriu suas portas no final de março de 2019, após três meses de escolha e construção do ponto comercial. Ela possui 75 metros quadrados e representa uma expansão em relação ao mercado autônomo em Vitória, com 35 metros quadrados.

A poucos metros de distância do Zaitt paulistano está um supermercado da rede varejista Carrefour, que firmou uma parceria com a startup. O Carrefour colaborou na montagem da loja, do design ao mix de produtos. Também é responsável por manter a quantidade certa dos produtos na unidade. Seus estoquistas são os únicos funcionários humanos vistos ao longo das 24 horas de funcionamento do mercado autônomo.

O consumidor do Zaitt precisa baixar um aplicativo e inserir dados pessoais, como documentos e uma selfie na hora, e financeiros, como o cadastro do cartão de crédito. Com o celular em mãos, precisa usar a leitura de QR Codes para passar por duas portas e chegar às prateleiras com produtos.

O Zaitt paulistano possui 800 variações de itens alimentícios e de higiene. Os produtos possuem etiquetas que armazenam dados remotamente, por meio de identificação por radiofrequência (na sigla original, RFID).

No fundo estabelecimento há um micro-ondas, para o consumo na hora de produtos prontos congelados. O consumidor coloca seus itens, consumidos ou não, em uma sacola.

Ele passa por outras duas portas na hora da saída. A primeira porta também é aberta por QR Code. Para a segunda ser aberta, o usuário precisa olhar para uma tela à direita, que mostra todos os produtos identificados através de sinais de rádio, e confirmar a transação por cartão de crédito. Após finalizar a compra, o consumidor pode sair do mercado autônomo. Apenas uma pessoa por vez pode ficar entre as duas portas.

O Zaitt projeta chegar a 21 mercados autônomos e dobrar sua equipe até o final de 2019. A startup já está perto de lançar um mercado autônomo no também bairro paulistano Vila Olímpia e negocia sua entrada em shopping centers.

Segundo Miranda, o custo apenas com aluguel e estocagem faz com que seja possível atingir o ponto de equilíbrio com poucos consumidores recorrentes, como moradores de bairro. Com mais Zaitt próximos abrindo, as equipes de estocagem podem ser compartilhadas e os custos fixos caem mais ainda. Quando atinge a maturidade, uma unidade do Zaitt apresenta um faturamento médio mensal de 150 mil reais mensais. Apenas a de Vitória está nesse estágio atualmente.