Candidato à vice-reitoria da UFMA, Allan Kardec promete realizar gestão inovadora

Allan Kardec: “Podem esperar aquilo que sempre fiz: doação total àquilo em que acredito que transforma o mundo, que é a educação, a ciência e a tecnologia”. (FOTO: Reprodução)>

TAGIL OLIVEIRA RAMOS

No dia 26 de junho, os nove campi da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) se preparam para dar um passo decisivo em sua trajetória histórica. A saudável agitação eleitoral da comunidade acadêmica escolherá o novo reitor e vice-reitor que conduzirão a instituição pelos próximos quatro anos.

Na disputa eleitoral, surgem nomes como o candidato apoiado pela atual reitora Nair Rabelo, João de Deus Silva, e professores com biografias relacionadas à instituição, como Raimundo Palhano, Natalino Salgado, Antonio Rafael, Ozanira Silva, Antonio Gonçalves, Antonio José Oliveira, Francisco Gonçalves e Sirliane Paiva .

Nesta semana, um grupo de 108 professores assinou um manifesto dando apoio à candidatura a vice-reitor de Allan Kardec Duailibe Barros Filho, atual pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFMA,

Em entrevista exclusiva, o candidato fala de seus planos se for eleito e faz uma análise sobre o atual cenário acadêmico no Maranhão e no Brasil e as possíveis interações com países como a China.

Seu nome e sua trajetória estão ligados a iniciativas estratégicas e desenvolvimentistas relacionadas à tecnologia. Quais são suas propostas e projetos que pretende defender como vice-reitor da UFMA?
O Brasil passa por uma quadra difícil. Mas tenho plena convicção de que superaremos. Creio que, na área de tecnologia, temos como oportunidade o Centro Espacial de Alcântara. Temos também oportunidades na área portuária e de saúde. Creio que possamos continuar fomentando e articulando com outras regiões do Brasil no sentido de termos profissionais de alta qualidade e competência. É fundamental continuar fomentando a pesquisa e a pós-graduação. Lutar por recursos para garantir o estudante na Universidade. E dialogar com outros países como a China, através do Instituto Confúcio. A China, na áreas tecnológica e portuária, está entre os grandes players do planeta.

Sua candidatura tem recebido apoios importantes, como o manifesto assinado por 108 professores da UFMA. Como você recebe este tipo de iniciativa?
Recebo com grande alegria e responsabilidade. As pessoas que assinaram têm grande densidade política e científica.

 

Como é possível fazer uma gestão menos centralizadora na Universidade Federal e quais as vantagens disso?
A gestão descentralizada é mais econômica. Viabiliza a rapidez nos processos e diminui os eventuais erros.

O que significa profissionalização da gestão e como esse quesito pode ser implementando dentro dos campi da UFMA, considerando os desafios inerentes ao Estado do Maranhão?
Profissionalizar a gestão é utilizar os mecanismos que há para fazer uma gestão de recursos materiais e humanos de forma eficiente. Diminuir a burocracia e a centralização das decisões. Um exemplo concreto foram os novos cursos de mestrado e doutorado. Diminuímos o número de setores que o processo deveria transitar. Como isso, ganhamos meses de trabalho e retrabalho. Os números mostram o acerto da nossa escolha. Da experiência. O resultado foi espetacular. Dos 15 processos submetidos aprovamos 14! Hoje temos 45 cursos de mestrado e doutorado, 106 de graduação, 9 campi. Descentralizar é dar eficiência. Penso também que devamos lutar para a Universidade Federal de Imperatriz. Garantiria eficiência no uso de recursos públicos. Sairia mais barato para o Governo Federal do que o que custa hoje. Tempo, burocracia e dinheiro.

Sua atuação frente à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFMA é considerada visionária. Quais os avanços que você gostaria de destacar, alcançados durante sua gestão?
Nós conseguimos 10 novos cursos de mestrado e 4 de doutorado. Temos a expectativa de pelo menos mais dois. Um deles em Inovação Tecnológica e outro em Pinheiro, que é um grande eixo da Universidade. Antes só existiam dois cursos no interior do Maranhão. Hoje são seis. A graduação é fortalecida com a pós-graduação e pesquisa. Penso que teremos uma nova cara do Maranhão daqui a poucos anos.

A partir de 2018, o ecossistema de empreendedorismo tem tido um boom, com a abertura de espaços como o Casarão Tech Renato Archer, o hub de inovação Black Swan, o laborátorio Sebrae Lab, o Laboratório aberto do Senai, além da participação bem-sucedida de equipe maranhense em hackatons e concursos de startups em âmbito nacional. Como você vê esse momento de efervescência e como a universidade está se preparando para atuar nele?
A gestão da professora Nair Portela tem trabalhado em diálogo intenso com a gestão inovadora do Secretário Davi Telles. Ainda na sexta-feira, nos reunimos todos para fazermos planejamento, dialogando com os cursos na área de computação e tecnologias. Nossos estudantes têm atuado intensamente para dar momentum a essa efervescência.

Muitos campi no Maranhão defendem uma atenção maior para suas regiões. Qual são suas propostas para atender reivindicações e demandas vindas fora da capital maranhense?
Fizemos um trabalho forte na pró-Reitoria de Pesquisa e Pós Graduação no sentido de fortalecer todos os cursos. Em especial, os cursos do continente. Avançamos de apenas dois cursos para seis no continente. Mas acho pouco. Somos 9 campi. Temos de atender todos. Sou também a favor da descentralização efetiva. Várias universidades. Basta ver os números de estados como Minas Gerais e Paraná. Precisamos ampliar. O Brasil, creio, é o único país do mundo com esse modelo multicampi. As grandes universidades são localizadas. Harvard, MIT, Oxford. Se você vai a Lisboa é o mesmo modelo. Nós criamos um modelo multicampi que deveria ser de spin off. Cria e se torna independente. Esse não funciona.

A UFMA, como ambiente acadêmico, sempre prezou pelos debates de alto nível em seus períodos eleitorais. O que você espera do debate deste ano, muitas vezes polarizado e pautado por uma extremado ativismo nas redes sociais digitais?
O Brasil está polarizado. E a Universidade extremamente mobilizada. Creio que o debate vai ser de propostas, mas intenso na discussão sobre a Universidade. Acredito que a construção da nação que queremos também pautará o debate. De qualidade, em que os vários candidatos, que são professores, mostrarão suas visões de mundo e, portanto, de ensino, pesquisa e extensão

Como você vê a participação da iniciativa privada no processo de inovação e empreendedorismo no Maranhão? Quais os papéis dos governos municipal, estadual e federal nesse contexto?
Creio que haja uma oportunidade de ouro no momento. Há um Novo Marco Regulatório que flexibiliza grandemente o diálogo da Universidade com o setor privado. Eu mesmo trabalhei intensamente com o setor de petróleo e gás quando diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Creio que possamos avançar intensamente nesse setor. Tanto no setor de tecnologia quanto, por exemplo, no trabalho com o navio que hoje a UFMA tem para pesquisas, mas que pode servir para pesquisa e prestação de serviços. Nesse sentido, costumo falar que existe um alinhamento único no Maranhão que pode efetivamente beneficiar a população. O forte diálogo entre a UFMA, Governo do Estado e Municipal. Já tivemos muitos resultados como os cursos de engenharia aeroespacial, graduação e pós-graduação, a vinda do Instituto Confúcio, os programas específicos da SECTI, como os institutos de ciência e tecnologia, em diversas áreas, como biotecnologia, saúde e babaçu.

Se eleito vice-reitor da UFMA, o que alunos, professores e funcionários podem esperar de sua gestão?
Podem esperar aquilo que sempre fiz: doação total àquilo em que acredito que transforma o mundo, que é a educação, a ciência e a tecnologia. A educação é desestabilizadora da História. Transforma o mundo de forma que ele não retorna ao que era. E esse mundo é melhor. Acredito nisso. Creio que posso continuar contribuindo com os colegas para fazermos um grande país. Transformando a Universidade. Dialogando com a sociedade. Construindo caminhos