Seminário “Base de Alcântara: Próximos Passos” teve início nesta manhã (15), em São Luís

Debates discutiram como o Maranhão está inserido no processo de desenvolvimento regional a partir da alavancagem do Centro de Lançamento de Alcântara

Marcos Pontes durante palestra no seminário, no Multicenter Sebrae (Foto: Ananda Maia)

Ananda Maia

Acontece o seminário “Base de Alcântara: Próximos Passos” nesta segunda-feira (15), no auditório Terezinha Jansen do Multicenter Sebrae, em São Luís. A Base pode se transformar no principal centro de lançamento do Hemisfério Sul do planeta, dessa forma, o evento científico tem como objetivo discutir a temática espacial no Maranhão a partir de três eixos: geopolítica, desenvolvimento regional e o papel da academia.

A mesa de abertura teve início às 09h30 com a presença do governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino. “O seminário tem duas marcas que eu gostaria de sublinhar, a primeira delas é a compreensão que na democracia os temas públicos são tratados em público e de forma dialógica. Buscamos neste momento reiniciar o diálogo sobre um tema presente na pauta do Maranhão há pelo menos quatro décadas”, afirmou o governador.

Logo após, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, contou sobre sua história como astronauta e apresentou o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST). “A operação de um centro espacial comercial possui um potencial único capaz de inserir o Brasil como um grande player no setor aeroespacial, além de impulsionar as atividades comerciais e econômicas locais”, ressaltou Pontes.

O Acordo é um instrumento assinado entre dois países em que estes se comprometem a proteger as tecnologias das partes. Além de uma declaração de confiança, é uma condição obrigatória para o uso do Centro Espacial de Alcântara (CEA) como base de lançamento de objetos espaciais de quaisquer países que possuam componentes americanos. Atualmente o CEA possui todas as instalações básicas e está com o seu potencial reprimido.

Segundo Pontes, o AST trata apenas da autorização dos Estados Unidos ao Brasil para o lançamento de foguetes e satélites, nacionais ou internacionais, que contenham componentes americanos. “O Acordo não tira a soberania porque o Centro estará sempre sob controle do Brasil. Vejo um potencial gigantesco aqui, o Brasil e essa região ganha muito com tudo isso, realizar isso depende só de nós”, finalizou o ministro.

O primeiro painel foi o “Geopolítica Espacial: o cenário internacional e o Centro de Lançamento de Alcântara” e foi apresentado inicialmente pelo diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do Ministério da Defesa, o Tenente-Brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, e pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Augusto Teixeira de Moura.

“Temos uma mina de ouro e uma janela aberta para o céu”, metaforizou Luiz Fernando de Aguiar sobre as instalações do CEA ser essencial no mercado espacial global. Carlos Augusto Teixeira Aguiar afirmou que o Brasil tem infraestrutura espacial, capital humana e indústria. “O cidadão brasileiro e nossa autonomia merecem essa nova janela de oportunidades que o espaço nos permite”, finalizou o presidente.

O secretário-executivo da MCTIC, Júlio Semeghini, falou brevemente durante o painel sobre o grande mercado espacial e da oportunidade que o Maranhão e o Brasil está tendo com o CEA. “O mundo já está fazendo, a tecnologia já está atropelando”, afirmou Semeghini. Marco Antônio Carnevale, diretor do CEA, finalizou o painel afirmando que Alcântara tem potencial para ser uma cidade inteligente e que o processo começa agora.

O evento é uma realização do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), e tem como público-alvo instituições, pesquisadores e acadêmicos. O seminário seguirá até às 18h com as exposições dos painéis “A cadeira produtiva aeroespacial: perspectivas e desafios para o desenvolvimento socioeconômico local” e “A produção do conhecimento no âmbito aeroespacial”.