Acordo Brasil-EUA sobre Centro de Lançamento de Alcântara é debatido na FIEMA

É uma grande oportunidade do próprio Estado se tornar uma locomotiva para o que ele acredita ser de melhor para a ciência e a tecnologia brasileira, diz Carnavale

Reunião na FIEMA: esclarecimento dos detalhes do acordo entre Brasil e EUA (Foto: Divulgação).

O acordo firmado entre Brasil e Estados Unidos para o uso da Base de Alcântara ainda é um arranjo comercial pouco compreendido pelos mais variados setores maranhenses.

Alguns concordam com o acordo, pois acreditam que é uma ação que colocará o estado do Maranhão no mapa das negociações mundiais. Outros discordam, afirmando que o acordo é a cessão de um dos patrimônios brasileiro aos EUA e impactará na vida dos moradores das regiões próximas do CLA.

Na última quinta-feira, 28, com o objetivo de esclarecer as dúvidas sobre o acordo, a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) recebeu o coronel aviador Marco Antônio Carnevale Coelho, diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Ao falar para os presentes, o coronel Carnevale, destacou que a Base de Alcântara já possui uma estrutura capaz de atender as tendências do mercado aeroespacial, tendo amplo leque de sistemas e serviços capazes de atender, com o Veículo Lançador de Microssatélites,  as tendências do “new space”, no que tange a lançamento de satélites de pequeno porte e com mais frequência, um nicho de mercado muito favorável à exploração pelo Brasil.

Mercado potencial 

A cadeia de negócio aeroespacial no mundo em 2019 gira em torno de U$ 370 bilhões de dólares. Com a aprovação do acordo pelo Congresso Nacional, o Brasil pode entrar e ganhar 1% do mercado de lançamento de satélites. Isso implicaria o faturamento anual de U$ 3,5 bilhões. Como esse mercado não para de crescer, o país poderá estar faturando U$ 10 bilhões por ano em 2040.

De acordo com Carnevale, a aceleração dos devidos aperfeiçoamentos e a definição do arcabouço legal é o que falta para que novos acordos comerciais de uso da Base de Alcântara por outros países possam acontecer.

O papel da indústria aeronáutica

O coronel destacou que o momento representa uma oportunidade do Maranhão se tornar uma locomotiva para o que ele acredita ser de melhor para a ciência e a tecnologia brasileira. Para ele, o Centro é um ativo muito grande e uma estrutura pronta e agora, assinado esse acordo, entraremos num player global de atendimento em cadeia mundial.

O diretor do CLA observa ainda, que a indústria aeroespacial é uma oportunidade para toda a região nordeste se inserir nesse nível global de progresso. Segundo Carnevale, toda essa indústria segue a orientação da aeronáutica para fazer tecnologia e inovação. O modelo de negócio que está chegando ao Maranhão foi implantado em São José dos Campos (SP) e agrega indústria, governo e academia.

O acordo

O acordo assinado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, no dia 18/03 nos EUA, permite apenas que base lance foguetes e satélites que possuem material fabricado por americanos e determina, em troca, a proteção dessa propriedade intelectual.

O próprio ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, afirmou, durante audiência conjunta da Comissão de Relações Exteriores (CRE) e da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), em Brasília, que o acordo não ameaça a soberania nacional, pois apenas brasileiros continuarão controlando a base.

Segundo o ministro, o Brasil controla o centro de lançamentos como um todo, tanto as operações quanto o acesso a qualquer parte do CLA. Não será cedido nenhuma parte do território nacional nem autorizado os EUA a lançarem o que quiserem.

O diretor esclarece ainda que não há riscos à soberania do nacional e diz que o Brasil manterá o controle da base. O acordo não permite atividades militares de outros países ou empresas estrangeiras.