Novas plataformas de aplicativos disputam mercado atual e futuro

Várias marcas vão flertar com o conceito de super apps, mas duas dificuldades podem atrapalhar, diz Léo Xavier, presidente da agência Pontomobi

A sensação do momento é investir em “super apps”, aplicativos que concentram em uma única plataforma vários tipos de serviços. Esses modelos de aplicativos são vistos como uma revolução no cenário de aplicativos, os super apps permitem economizar espaço no celular, já que é não necessário ter instalado tantos aplicativos, um apelo bastante interessante em países emergentes, onde a base instalada de smartphones é composta, em sua maioria, por aparelhos mais simples.

Esse fenômeno tecnológico acirra o duelo entre empresas de serviços digitais, que investem cada vez mais alto no aprimoramento e na criação de apps mais funcionais e que se encaixem no conceito do chinês WeChat, aplicativo que começou sendo para troca de mensagens e atualmente permite chamar táxi, pagar contas, pedir comida e fazer consultas médicas, entre outros.

Entre 2013 e 2014 houve tentativa dos desenvolvedores do app de adentrar no mercado brasileiro, quando a plataforma ainda era usado basicamente para trocar mensagens, mas não houve sucesso.
Outros países e aplicativos tentam a mesma faceta. Na Índia, o Go Jerk caminha nessa direção. O Facebook tem tentado dar ares de super app ao Messenger, mas a passos bem lentos.

No Brasil e na América Latina o conceito tem sido a trilha de crescimento da colombiana Rappi e da espanhola Glovo. A Movile, dona do iFood, também tem investido alto na estratégia – em novembro liderou um aporte de US$ 500 milhões na empresa de entrega de comida. A Rappi recebeu em setembro US$ 200 milhões de fundos como o DST Global e o americano Sequoia Capital (que já haviam investido na Nubank) e se tornou a primeira startup colombiana a atingir o status de “unicórnio”, o que quer dizer que ela vale mais de US$ 1 bilhão. A Glovo captou US$ 134 milhões com nomes como a japonesa Rakuten.

De acordo com Bruno Raposo, diretor da Glovo, Empresas tradicionais também estão se posicionando para o que está por vir. A exemplo, Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza tem falado com frequência sobre a intenção de reunir mais serviços no aplicativo da rede. Em maio de 2018, comprou a startup de tecnologia logística Logbee. Em dezembro o Grupo Pão de Açúcar (GPA) adquiriu a startup curitibana de entregas James Delivery.

De acordo com ele, os serviços de entrega ainda serão o grande motor de crescimento nos próximos anos – a expectativa é que o volume de pedidos quadruplique em dois anos. Por conta disso, a expansão de modelo de atuação está no radar, mas só deve ocorrer após 18 meses.

Para Léo Xavier, presidente da agência Pontomobi, várias marcas vão flertar com o conceito de super apps, mas duas dificuldades podem atrapalhar: a capacidade de administrar a relação entre áreas e diferentes serviços externos, além da aceitação dos consumidores.

Para Claudio Czarnobai, líder de desenvolvimento de produtos para o varejo da Nielsen, outro aspecto a se considerar é a Lei de Proteção de Dados Pessoais, que dificulta o acesso a algumas informações dos consumidores, o que pode limitar o escopo pretendido para um super app.