Empreendedores da periferia de São Paulo usam conceito de “negócio social” de Prêmio Nobel

A teoria é do economista indiano Muhammad Yunus para impulsionar negócios de impacto social

Anip é o programa da A Banca para formar dezenas de novos empresários na periferia (Foto: Divulgação)

O coletivo A Banca, formado por artistas moradores do Jardim Ângela, um distrito carente da Zona Sul de São Paulo, introduziu há um ano um movimento para criar empreendedores cujos negócios sejam sem fins lucrativos e autossustentáveis, baseando-se no modelo de “negócio social” criado pelo indiano Muhammad Yunus, o primeiro economista premiado com o Nobel da Paz, em 2006.

A Banca se provê através da prestação de serviços que provocam impacto na periferia, como palestras para instituições privadas, shows e produção de discos de hip-hop, e reverte o faturamento em ações ainda mais diretas para a comunidade, como oficinas gratuitas para o ensino de instrumentos musicais. Semelhantemente, Yunus tinha o objetivo de alavancar o empreendedorismo para as pessoas pobres.

Yunus fomentou um banco para oferecer microcrédito a pessoas pobres, de forma que pudesse recuperar o valor emprestado e obter lucro apenas suficiente para se manter. A nova frente da A Banca amplia ainda mais essa proposta, por intermédio da Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (Anip), a promessa é motivar e capacitar os moradores de bairros afastados do Centro a arquitetarem novos negócios de impacto social.

A Anip é uma espécie de incubadora de startups, fruto de uma parceria da A Banca com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e com a Artemisia, que tem o objetivo de apoiar uma nova geração de empreendedores da periferia fortalecendo seu modelo de negócio em um ambiente que transforme os empreendedores em protagonistas no desenvolvimento de soluções sociais, ambientais e financeiras do país.

Todo semestre é lançado um programa que convida os jovens empreendedores a inscrever seus projetos e passar por quatro meses de imersão no mundo da gestão empresarial. Os cinco projetos selecionados passam por uma aceleração através de workshops e orientações sobre gestão financeira, marketing digital, questões jurídicas, inovação e refinamento de negócios.

Por fim, os empreendimentos recebem mentoria por mais seis meses, e um incentivo de R$ 20 mil para servir de capital-semente, valor captado pelos realizadores junto a parceiros. Esse trabalho iniciou em 2018, quando a Anip ofereceu dois programas de aceleração, onde dez negócios foram acelerados. A terceira edição do programa está com inscrições abertas até 24 de fevereiro.