Tecnologias para monitoramento de água são instaladas em reservas na Amazônia

Aguakits vão analisar padrões de qualidade de água nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no estado do Amazonas

Para monitorar as condições meteorológicas e de qualidade da água, quatro estações de monitoramento, chamadas de AguaKits, estão instaladas em pontos estratégicos das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, estado do Amazonas.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa norte-americana Conservify, uma das parceiras do projeto. Os kits contam com estações meteorológicas e sensores capazes de medir qualidade da água e nível da água. Esses são os primeiros Aguakits instalados pelo projeto Ciência Cidadã para a Amazônia em todo o bioma.

A qualidade, as variações e o nível da água são critérios importantes para pensar na conservação e o manejo de sistemas hídricos. A cada ponto, diferentes ambientes, sempre interligados, variam conforme a estação do ano. Isso influencia a vida das pessoas, o comportamento dos animais aquáticos e todos os processos biológicos.

O que os dados podem nos dizer?

As estações meteorológicas medirão parâmetros de precipitação, pressão atmosférica, umidade relativa, radiação solar difusa, temperatura do ar, velocidade e direção do vento. Esses dados ajudam a compor modelos de evapotranspiração, precipitação, padrões climáticos e produtividade primária. Assim, é possível entender fatores importantes da fisiologia das florestas.

Os sensores de qualidade da água medirão parâmetros de condutividade elétrica, que significa a condução de eletricidade por partículas dissolvidas na água, pH, entendendo o quão básica ou ácida a água está, o nível de oxigênio dissolvido e a temperatura da água. Esses dados permitem entender a qualidade de determinado ambiente, o que garante a ocorrência dos ciclos biológicos regulares e a sobrevivência das espécies.

Também serão utilizados sensores ultrassônicos, que medirão pelo som, de um ponto mais alto até a superfície, a subida ou a descida do nível da água. Esses dados apontam os padrões de enchente e vazante, eventos que determinam o ritmo de reprodução das espécies e o acesso à alimentação, por exemplo.

Todos esses fatores estão interligados. Se a água de um rio sobe, a condutividade pode cair devido à diluição, assim como à temperatura. Mudanças extremas de pH podem tornar os ambientes inóspitos. Águas mais frias podem segurar mais oxigênio.

A pesquisa faz parte do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Um desafio de escala amazônica

A Bacia Amazônica abrange uma área imensa. São mais de 6.8 milhões de quilômetros quadrados. Compreender os processos dentro dessa escala requer um volume de informações muito grande, provenientes de múltiplos lugares.

Para Paulo Olivas, da Universidade Internacional da Flórida, um dos parceiros do projeto, é preciso ter informações em vários pontos e por isso desenvolver tecnologia acessível, de baixo custo e amigáveis para os usuários, que são os cientistas cidadãos. As informações do Aguakits, cruzadas com as informações do aplicativo Ictio, poderão dar subsídios para entender sobre os padrões de migração das espécies de peixes.

Os Aguakits são desenvolvidos com tecnologia replicável e com compartilhamento de informações. O conceito geral é simplicar, produzindo os Aguakits com materiais comuns, como canos de PVC. Esses equipamentos podem enviar os dados em tempo real, contanto que tenham conexão com a internet. Em casos onde isso não é possível, pessoas envolvidas no projeto poderão fazer o download dos dados e compartilhá-los por meio do aplicativo FieldKit, quando tiveram conexão de internet.

com informações.