Inovação em biotecnologia gera empresa com faturamento de R$ 450 milhões

Luiz Chacon criou uma empresa que é reconhecida pela capacidade exponencial de geração de valor nos negócios em que atua

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Luiz Chacon Filho, aos 19 anos, inaugurou a SuperBAC, sua empresa de biotecnologia, em São Paulo. Inspirou-se no avô, Dinoberto Chacon, biólogo do Instituto Butantan, e no pai, executivo do mercado financeiro e sócio de um laboratório de compostos bacterianos. Luiz trabalhou sozinho e amargou 12 anos de prejuízo pela frente.

Mas depois de 20 anos, Luiz mostrou que seu espírito empreendedor visionário estava certo. A SuperBA­C está há mais de 20 anos desenvolvendo e entregando soluções biotecnológicas de alta performance para os segmentos de agricultura, saneamento, óleo e gás e bens de consumo.

Com centros de pesquisa e desenvolvimento localizados no Brasil, Estados Unidos, Colômbia, e Singapura, a empresa se consolidou como uma empresa líder em bioinovação e referência na substituição de processos produtivos, de forma sustentável e economicamente viável.

A companhia com sede em Cotia, a 35 quilômetros da capital paulista, com o propósito de criar um mundo mais produtivo e sustentável utilizando a inteligência da natureza, ganhou tração por efeito de um conjunto de fatores que embala os sonhos de qualquer empresário: inovações que conquistam o mercado, entrada de novos investidores, mentoria de grandes líderes e aquisição de empresas.

Antes de abrir a SuperBAC, Luiz batia ponto no laboratório do pai, fornecedor de compostos bacterianos para limpar tubos no setor de petróleo e gás. Descobriu que a mesma solução poderia ter outras aplicações. Microorganismos vivos, criados em laboratório, podem eliminar resíduos de caixas de gordura e de tubulações em outros setores. As bactérias “comem” a sujeira nesses ambientes e a transforma em água e gás carbônico.

Com o apoio de técnicos do laboratório, obteve, em 1994, seu primeiro produto: um “blend” de bactérias capazes de eliminar gordura residual deixada pelo processamento do cacau. Fundou a SuperBac em 1995 e terceirizou a produção na empresa da família. Chacon saiu de porta em porta para demonstrar a novidade e laçar mais contratos. Chamou a atenção de restaurantes, hotéis e produtores de laticínios.

O composto em estado líquido durava apenas um mês antes de ser aplicado por usar bactérias vivas. Chacon foi buscar respostas nos Estados Unidos a fim de resolver o problema. Em 2002, graças à parceria com a Bio-Green Planet, substituiu a fórmula líquida que usava por esporos ou “sementes” de bactérias. Com a troca, o prazo de validade do produto saltou para cinco anos.

Na mesma época, executivos da Johnson Diversey, deram a proposta de revender mundo afora o produto que Chacon desenvolveu. O acordo de fornecimento foi assinado nos Estados Unidos, sede da companhia conhecida no Brasil pelas tradicionais Ceras Johnson.

Logo no dia seguinte, o empreendedor percebeu que tinha sido um erro, pois se viu preso a um único cliente. Chacon quebrou o contrato um ano antes e pagou a multa rescisória com a ajuda de investidores-anjo ligados ao Banco Sofisa. Foi a primeira rodada de investimentos que a empresa recebeu, de uma soma total de R$ 320 milhões, até 2018.

Em 2007, o banco português Espírito Santo comprou 12% da empresa por R$ 12 milhões. O dinheiro ajudou a ampliar o quadro para 40 funcionários e adquirir novos sistemas de gestão. Também dava mais musculatura para crescer e sair da zona de prejuízo. Até então, a empresa investia tudo que recebia.

Em 2008, Chacon avançou para a Colômbia, adquirindo dois laboratórios. Para Chacon, a SuperBac atraiu apoiadores e ganhou um empurrão decisivo depois da compra de mais uma companhia, em 2013. Era a paranaense Minorgan, de fertilizantes, então dona de um faturamento de R$ 37 milhões.

O empresário, que nesse período conseguia faturar R$ 2 milhões, substituiu a linha de produção tradicional da parceira pelos similares biotecnológicos que desenvolveu. Hoje, ela ampliou sua margem de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 20%, e os agricultores colhem até 30% a mais do que quando usavam os fertilizantes antigos.

Ao mesmo tempo, Chacon lançou produtos biotecnológicos para os setores de saneamento voltados ao tratamento de efluentes e bens de consumo. O faturamento saltou de R$ 40 milhões em 2010 para cerca de R$ 450 milhões, previstos para 2018.

Nos próximos anos, o plano é construir mais duas fábricas no país, a partir da injeção de outros R$ 100 milhões, vindos dos acionistas. Até 2020, o faturamento deve chegar a R$ 1 bilhão. Depois de provar capacidade na execução de projetos e na atração de capital, o empresário sabe que vai precisar de mais cérebros e braços. Dos quase 500 funcionários da companhia, 40% têm curso superior. Serão 600 empregados em 2020.