“Vida de cão”

A boa vida do membro animal da família põe em cheque antiga expressão popular

Para os antigos quem levava uma vida de cão tinha uma vida árdua, cheia de dificuldades. Mas a expressão já ficou no passado, já que, para 61% dos brasileiros, os animais são considerados verdadeiros membros da família.
A informação vem da última pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mas o mercado confirma os fatos.
De acordo com informações do SPC Brasil, o país é o terceiro maior mercado de pet do mundo em faturamento. Fica atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido.
Os mais de 130 milhões de animais que vivem dentro dos lares brasileiros, representam um amplo potencial de mercado em diversos setores, principalmente no de produtos e serviços que teve um crescimento de 7% só no ano passado.
A maioria dos donos de animais quer tratá-los com mimos e bem-estar. Como atestam os dados do SPC. Que destaca que os itens mais importantes de proporcionar a aos animais de acordo com 79,2% dos consumidores são alimentação saudáveis, 78,8% cuidados com a saúde e 57,6% com confortos para dormir. Também vale mencionar os passeios (54,8%), as atividades físicas (46,6%) e os banhos em casa (45,9%), indicando que a disposição dos donos vai muito além de meramente garantir comida e abrigo para seus bichos.
Reflexos na economia
Apesar da crise dos últimos anos no país, chama atenção dos empresários que tem investido forte na área e os consumidores que tem sido fiéis aos seus amiguinhos.
Com 15 mil itens em estoque de sua rede de lojas, o diretor executivo da Terra Zoo, Márcio Brasil indica que esse cuidado com os amigos de quatro patas tem contribuído com uma mudança. “De acordo com a Abinpet, cerca de 50% dos cães e gatos ainda não são alimentados com ração e ainda consomem restos de comida, sem falar naqueles que vivem abandonados nas ruas das cidades. À medida que os animais são melhor tratados e encontram lares decentes para viver, o consumo de ração aumenta. Então, entendemos que ainda existe bastante espaço para crescimento desse mercado no Maranhão”, reforça.
O diretor executivo indica ainda que o setor tem investido cada vez mais em estrutura para atender a este tipo de cliente interessado no bem-estar do seu animal. “Estamos sempre em busca de crescimento, independentemente da situação macro-econômica. Prevemos um bom crescimento para os próximos anos”. Ainda segundo ele, o mercado pet traz influências positivas para economia do estado, uma vez que por trás da oferta do serviço especializado está a oportunidade de emprego e renda. “Os pequenos empreendedores que estão na informalidade das estatísticas de emprego têm grande chance de ter uma renda gerada pelos novos negócios de serviços pet”, afirma.

Artigo de luxo
De planos de saúde à espaços para socialização e realização de eventos entre donos e pets, passando por hotéis e creches com cuidadores especializados, os animais estão bem servidos. A forma de tratar os bichos de forma humanizada já chegou à São Luís e vem ganhando adeptos.
Ainda considerados um artigo de luxo, os animais influenciam no orçamento doméstico. Os cuidados com bem-estar demandam, em média, R$ 189 mensais, valor que pode chegar a R$ 224 no caso de consumidores das classes A e B, segundo dados da SPC Brasil.
Para os consumidores, o cuidado com os animais ainda deve ser considerado um caso de saúde pública. Segundo eles, os altos preços dos produtos e serviços, ainda dificultam o acesso de boa parte da população aos serviços, e aos pets, por tabela, como é o caso da comunicadora Ana Beatriz Ribeiro,
Tutora de uma cadela com idade avançada e que precisa de cuidados específicos, a tutora revela que já teve dificuldades em seguir com os tratamentos de saúde do animal em função dos altos custos.
“O que encarece a tutoria responsável de um pet ainda são os custos. Todo produto destinado para animais, desde lazer à medicação são muito caros, o que inviabiliza muita gente de cuidar de seus bichinhos como deveria”, esclarece.
Responsável por uma jabuti e a um casal de hamsters aos quais está oferecendo hospedagem ela indica que, por outro lado, a evolução do mercado tem permitido às empresas ofertar um serviço abrangente, o que inclui os cuidados om animais exóticos.
“O que a gente percebe é que, aos poucos, o mercado vem se expandindo a acolhendo às necessidades de quem tem um exótico em casa. Nem sempre foi fácil ter um animal incomum com necessidades que não eram facilmente atendidas quando se buscava em um pet shop”, ressalta Beatriz Ribeiro.
Para o gerente de Ecommerce da Terra Zoo em São Luís, Julio Moraes “a política de preço é balizada com o mercado e não diverge de outros segmentos do varejo, onde o consumidor busca sempre o menor preço e a empresa sempre busca a melhor rentabilidade. Segundo ele, existem ainda mais possibilidades não exploradas dentro do setor. “A revenda de produtos está cada vez mais competitiva, devido ao fortalecimento e a concorrência das redes, reduzindo as margens de lucro e forçando a eficiência e produtividade”, diz.