Pepsi fecha fábrica no Brasil após mudança em créditos fiscais

O governo alterou o sistema de compensação fiscal dos fabricantes de xarope de refrigerante instalados na Zona Franca de Manaus

Pepsi diz que oferece um pacote de indenizações aos funcionários que perderam o emprego (Foto: Reprodução)

A guerra entre grandes empresas de refrigerantes e o governo federal continua.  A Pepsi anunciou nesta semana o fechamento de sua fábrica de concentrados que funcionava na Zona Franca de Manaus (AM). A decisão acontece após o governo mudar neste ano o sistema de créditos tributários a empresas instaladas na região.

“Tomamos a difícil decisão de fechar nossa unidade de fabricação de concentrados em Manaus (AM), com o objetivo de administrar eficientemente nossas operações em todo o Brasil e posicionar a empresa para um crescimento de longo prazo. Essa decisão não afeta outras operações da PepsiCo no país”, informa a empresa em nota.

Para a Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas), entidade que reúne 60 fabricantes, dentre elas Coca-Cola, Pepsi, Ambev e Heineken, há grandes chances de outras companhias fazerem o mesmo, em especial as grandes. Segundo Alexandre Jobim, presidente da Abir, a saída da Pepsi é uma sinalização muito ruim e o desmantelamento da Zona Franca de Manaus pode acontecer aos poucos.

Em junho deste ano, o governo Temer mudou a cobrança de IPI sobre o xarope de refrigerante. A mudança na regra foi a seguinte: o xarope de refrigerante passou a pagar uma alíquota de 4% de IPI, ante os 20% que eram cobrados anteriormente. Em setembro, Temer voltou atrás e aumentou a alíquota para 12%, no primeiro semestre de 2019, e para 8% no segundo semestre do ano que vem. Em 2020, o percentual volta a ser 4%.

O decreto foi uma vitória das companhias de refrigerantes, mas parece não ter sido suficiente. Para Abir, o governo tem que decidir se quer continuar com a Zona Franca de Manaus. Se o benefício ficar em 4%, a operação não fica de pé e as empresas não vão ficar lá. A associação afirma que a produção de xarope gera 14 mil empregos na região, diretos e indiretos. A Abir defende um desconto de 15%.

“Reconhecemos os impactos pessoais de decisões como esta. Estamos comprometidos a tratar nossos funcionários afetados com dignidade, respeito e apoio, e estamos oferecendo um pacote de indenização competitivo, além do suporte a recolocação”, afirma a PepsiCo.