Cantão lança coleção de roupas produzidas por artesãs maranhenses com palha de buriti

Todas as peças foram confeccionadas pelas mulheres do Movimento de Artesãs e Ofícios, no município de Barreirinhas

Bela Gil, parceira da coleção, veio até o Maranhão para ver de perto o processo (Foto: Camila Pinheiro)

A marca carioca Cantão lançou uma coleção de roupas feitas artesanalmente pelas mulheres do Movimento de Artesãs e Ofícios (Maos), em Barreirinhas, no Maranhão. As peças trazem como matéria-prima a palha de buriti, palmeira típica da região. O trançado da fibra do buriti é uma herança indígena que se tornou uma prática transmitida entre gerações pelas comunidades locais.

As peças limitadas que fazem parte da coleção “Ser/Tão”, tema escolhido para o verão 2019 da marca, a linha é composta de blusa, saia, bolsa e mule de crochê feitos por Dona Ivonete e seu time de artesãs profissionais com o principal produto do extrativismo vegetal da região. A fibra que é usada para fazer as peças vem do broto da folha nova, encontrado no topo das árvores.

A atividade artesanal com a fibra de buriti está presente em diversos municípios do Maranhão, mas a cidade de Barreirinhas é considerada uma das principais produtoras desse artesanato. A partir de 2000, a cidade de Barreirinhas contou com a atuação de técnicos do Programa de Artesanato do SEBRAE que ofereceram diferentes capacitações, o que motivou a formação de grupos de artesãs.

As artesãs começaram, então, a participar de feiras, chegando a ganhar o Prêmio Top 100 do Sebrae de Artesanato, em 2004. Para a produção artesanal, muitas artesãs compram o “olho do buriti” ou broto da palmeira dos homens extrativistas. Há algumas décadas a prática da extração do buriti era realizada pelas famílias, de modo geral, mas com o crescimento do artesanato, surgiu um mercado informal da matéria prima.

De acordo com a chef e apresentadora Bela Gil, parceira da coleção, o trabalho é realizado com consciência ecológica e muita dedicação. Segundo ela, é preciso entender todo o processo de crescimento da planta e, ao invés de ficar apenas extraindo, é necessário respeitar o tempo natural da palmeira. Com o crescimento do artesanato, a prática da extração do buriti surgiu como um mercado informal da matéria-prima.