Agrícola Xingu deve encerrar o ano com alta no faturamento

O aumento se deve ao clima e também ao uso de tecnologias nas lavouras.

Braço de produção dos grãos do grupo japonês Mitsui, a Agrícola Xingu espera fechar 2018 com saldo positivo após um período de prejuízos operacionais no Brasil.
Contando com seis unidades de produção de grãos no país, uma no Maranhão, a companhia espera obter um aumento de 5 a 10% sobre o faturamento do ano anterior, fechado em R$ 350 milhões.

O aumento da produtividade se deve ao clima e também ao uso intensivo de tecnologias digitais nas lavouras.
“Não estamos mais olhando para a compra de novas áreas no Brasil. Isso só voltará a acontecer no longo prazo”, afirmou o diretor de planejamento estratégico da companhia, Yuki Yamamoto, executivo japonês que assumiu há pouco mais de um ano a posição brasileira. “Nosso foco agora está na elevação de margem por hectare por meio de tecnologias”.

As propriedades do Maranhão e da Bahia foram arrendadas, reduzindo as operações da empresa com algodão, milho e soja em quase metade. A decisão se deve um movimento de correção de rumo, quando a empresa começou também a pôr em prática parcerias com empresas de tecnologia para a introdução de novos sistemas de aferição de produtividade e redução de custos.

Por valores não divulgados, a empresa investiu em telemetria no campo baseada em IoT (Internet das Coisas), sistema de gestão integrada das propriedades, servidores extras para recuperação de informações em casos de desastres e também em acesso aos sistemas com base no perfil do usuário e controle de contratos e processos legais.
O executivo Yuki Yamamoto indica que os resultados já podem ser percebidos. Em termos financeiros, a Xingu já registrou, ainda no passado, lucro líquido de US$ 3,7 milhões – cerca de R$ 15 milhões na cotação atual – ante o prejuízo de US$ 19 milhões – R$ 350 milhões – no ano anterior.
Adquirida pelo grupo Mitsui como consequência da compra o controle da Multigrain, a companhia atribui o que Yamamoto designa como “excelente crescimento de geração de caixa”, principalmente ao incremento da produtividade. “Tais fatores somados reduziram consideravelmente o custo unitário no comparativo com 2016”.

“Estamos vendo no Brasil um movimento de consolidação nas pontas, o tranding, os insumos que estão ficando mais fortes. Os produtores estão no meio (deste processo), e se a gente não conseguisse reduzir custos, também não sobreviveríamos”, disse Yamamoto à reportagem.
Ainda segundo ele, a tecnificação é a saída possível para administrar o “ritmo brasileiro” de mudança – estranho ao planejamento estratificado, comum aos japoneses. “O ambiente não está bom”, disse ele, se referindo ao tabelamento inesperado do frete rodoviário, que elevará os custos da companhia em 50% no ciclo 2018/2019.