Estrangeiros aumentam compras de ativos locais

Investidores de fora continuam entrando no mercado brasileiro

Apesar do cenário político inconstante e da sequência de altas com o resultado do primeiro turno das eleições, a bolsa de valores brasileira tem atraído o investimento de estrangeiros.
Na última segunda-feira (8) – primeiro pregão após o pleito – o Ibovespa subiu 4,57% e os estrangeiros colocaram R$ 1,67 bilhões em ações. Até a data, o ingresso de capital externo na bolsa de valores brasileira atingiu R$ 2,21 bilhões.
A forte colocação de recursos aconteceu em um dia de volumes reduzidos em Wall Street, com um feriado que manteve fechado o mercado de renda fixa americana.
A confiança dos investidores já aumentava antes mesmo das eleições brasileiras, como mostram os números de fluxo cambial do Banco Central (BC). Pela via financeira, o país recebeu US$ 3,497 bilhões entre os dias 1º e 5º de outubro. Neste período que as pesquisas de intenção de votos mostraram que Jair Bolsonaro (PSL) – candidato mais alinhado à agenda do mercado – abriu vantagem sobre seu principal adversário, Fernando Haddad (PT).
“Com o resultado favorável ao mercado do primeiro turno, decidimos aumentar ainda mais nossa exposição (no Brasil)”, dizem os especialistas do Citi. Ainda segundo eles, o forte desempenho de Bolsonaro no primeiro turno confere ao militar “uma boa chance” de vencer a disputa no segundo turno. “Isso antecipa o rali do real que seria esperado após uma disputa acirrada”.
Ontem, após o fechamento dos mercados saiu a primeira pesquisa de intenção de votos realizada pelo Datafolha. Nela, Bolsonaro aparece com 58% dos votos válidos, e Haddad, com 42%, dentro do cenário esperado pelos analistas do mercado. O ajuste das posições em câmbio e bolsa levou o dílar a interromper uma sequência de três quedas e subir 1,42%, sendo cotado a R$ 3,7617, enquando o Ibovespa foi à mínima do dia, de 83,679 pontos, em baixa de 2,80%. Na semana, porém, o dólar ainda acumula queda de 2,41%, ante o real e o Ibovespa ainda sobe 1,65%.
Para os especialistas, ainda é cedo para dizer que os investidores devem desmontar suas apostas nos ativos locais, já que a perspectiva para o cenário pós-eleição ainda é bem mais construtivo atualmente. “O dia mais negativo no exterior foi preponderante para estimular o movimento de redução da posição em ativos de risco”, diz o analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos.
Na avaliação do economista Silvio Campos Neto, da Tendências, não dá pra se tomar “a ferro e fogo” os comentários dos políticos nesta etapa da disputa eleitoral.
“São declarações que não trazem muitos detalhes e servem para agradar o público”, diz o especialista. Por isso, a “lua de mel” com o mercado parece seguir firme.
“Mas (o mercado) poderia ir pra cima do governo após a eleição e exigir os detalhes da política econômica”, acrescentou.