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A companhia aérea Gol reportou prejuízo líquido de R$ 1,33 bilhão no segundo trimestre deste ano, ante a perda de R$ 409,5 milhões registrada entre abril e junho de 2017. O balanço foi afetado principalmente pela variação do dólar – que impacta mais da metade das despesas operacionais e acima de 80% do endividamento da empresa.

A Gol contabilizou R$ 1,043 bilhão de perdas com variações cambiais e monetárias, entre abril e junho, ante uma perda de R$ 225,7 milhões em igual período de 2017. Isso determinou uma piora de 196,6% no resultado financeiro, que foi negativo em R$ 1,261 bilhão.

Já os indicadores operacionais da Gol no segundo trimestre de 2018 foram melhores que os apurados em igual período de 2017. A receita líquida operacional aumentou 9% e atingiu R$ 2,354 bilhões, alimentada principalmente pelas vendas a passageiros, que tiveram incremento de 10,3%, para R$ 2,146 bilhões.

Os custos operacionais cresceram 8,1%, para R$ 2,311 bilhão, apesar do encarecimento do petróleo, que levou a Gol a gastar entre abril e junho um valor 26% maior com o combustível de aviação, apurando uma despesa com esse insumo de R$ 792,7 milhões.

A Gol transportou 4,1% mais passageiros no segundo trimestre ante igual período de 2017, embarcando 7,6 milhões de pessoas. O bilhete médio também variou positivamente, em 6%, atingindo R$ 284. Isso garantiu uma receita média por passageiro embarcado a cada assento disponível (Prask, na sigla em Inglês) 6% maior no segundo trimestre deste ano que em igual período de 2017.

A melhora da receita em ritmo superior ao da despesa permitiu à Gol avançar em indicadores de lucro operacional. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 47,3%, para R$ 207,9 milhões, elevando a margem Ebitda em 2,3 pontos percentuais, a 8,8%.

O lucro antes de juros e impostos (Ebit) subiu 92,7%, para R$ 42,8 milhões, e a margem foi de 1% para 1,8%. O desempenho operacional permitiu à Gol ainda ter uma geração de fluxo de caixa operacional 16,8% no segundo trimestre ante igual período de 2017, somando R$ 588,7 milhões.

Revisão

Com o resultado do trimestre, a maior companhia aérea do país, revisou as projeções para alguns dos indicadores operacionais e financeiros para este  e para o próximo ano. Em vez de um lucro por ação de R$ 0,90 a R$ 1,10, em 2018, a companhia agora projeta perda de R$ 1,00 até R$ 1,20 por ação. Para 2019, estimativa de lucro por ação diluído passou de R$ 1,70 a R$ 2,30, para uma faixa de R$ 1,50 a R$ 1,90.

Já para as receitas totais, a Gol elevou a projeção para 2018, de um total de aproximadamente R$ 11 bilhões para cerca de R$ 11,5 bilhões. Para 2019, estimou valor até R$ 12,5 bilhões, ante uma expectativa anterior de R$ 12 bilhões. A Gol espera agora uma maior despesa financeira em 2018, que pode atingir R$ 800 milhões, ante uma estimativa anterior que era de R$ 650 milhões.

A previsão de investimentos (Capex) este ano foram elevados, de R$ 700 milhões para R$ 750 milhões, enquanto o arrendamento de aeronaves em 2018 vai custar cerca de R$ 1,1 bilhão, em relação à projeção anterior de R$ 960 milhões.

A empresa manteve as projeções para investimentos e arrendamento de aeronaves em 2019, em R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão, respectivamente. E também continua com as mesmas estimativas para todas os indicadores operacionais de capacidade e frota em 2018 e 2019. A empresa trabalha com uma frota de 117 aeronaves este ano e de até 124 jatos em 2019.

A capacidade, medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK, na sigla em Inglês) vai crescer de 1% a 2% este ano e de 5% a 10% em 2019, prevê a Gol. Essa expansão de capacidade vai ser liderada pelos voos internacionais, que terão ASK aumentando de 6% a 8% em 2018 ante 2017 e de 30% a 40% em 2019 em relação ao números de 2018.

No doméstico, a Gol vai elevar o ASK em até 2% em 2018 ante 2017 e até 3% em 2019 ante 2018, estima a companhia. A Gol manteve ainda a projeção de margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização (margem Ebitda) em 16% para 2018. Mas para 2019, cortou a projeção de margem Ebitda de 18% para 17%.

A companhia espera pagar mais pelo combustível este ano e ano que vem. Para 2018, a previsão de preço do combustível por litro subiu de R$ 2,50 para R$ 2,90, enquanto para 2019, a estimativa passou de R$ 2,60 para R$ 2,90.

Mas com a entrada em operação dos novos jatos Boeing 737 Max, mais econômicos, a Gol espera consumir menos combustível. Em vez de 1,38 milhão de litros em 2018, a empresa prevê consumir cerca de 1,37 bilhão de litros. Para 2019, a previsão de consumo de combustível caiu de 1,44 bilhão de litros para 1,42 milhão de litros.

Smiles

Antes de divulgar o balanço, a Gol comunicou também que celebrou contrato de R$ 300 milhões com a Smiles, empresa de fidelidade controlada pela companhia aérea, para compra antecipada de passagens.

No mesmo comunicado, informou que acertou contratos de crédito no valor de US$ 22 milhões, sendo dois acordos de US$ 11 milhões cada com as instituições financeiras Credit Agricole CIB e o Export-Import Bank dos Estados Unidos (Ex-Im Bank).

Os recursos serão usados para serviços técnicos de manutenção em motores de aeronaves. Por meio de outros contratos, a Gol dará como garantia dos empréstimos alguns motores da companhia aérea.